As recuperações extrajudiciais de Raízen, no valor de R$ 65,2 bilhões, anunciada nesta quinta-feira (25), e do Grupo Pão de Açúcar (GPA), de R$ 4,5 bilhões, formalizada na quarta-feira (24), devem provocar novas perdas em diversos fundos de investimento, especialmente carteiras de crédito privado, debêntures incentivadas e fundos de previdência.
Levantamento da Elos Ayta Consultoria, elaborado pelo sócio fundador Einar Rivero a partir das últimas carteiras públicas dos gestores (majoritariamente referentes a 30 de novembro de 2025), mostra os veículos com maior exposição aos títulos de dívida das duas companhias.
Com dívida expressivamente superior à do GPA, a Raízen figura nas posições mais relevantes. Entre os fundos com maior volume aplicado nas debêntures da companhia estão:
Itaú Flexprev High Yield II Mult Crédito Privado – R$ 276,3 milhões (30/11/2025)
Itaú Flexprev Sinfonia Mult Crédito Privado – R$ 133,8 milhões (30/11/2025)
Itaú RF Crédito Privado Diferenciado – R$ 128,1 milhões (30/11/2025)
BB Top RF Debêntures Incentivadas CDI III – R$ 120,0 milhões (31/01/2026)
BB Master RF Debêntures Incentivadas Infraestrutura – R$ 111,5 milhões (31/01/2026)
Absolute Hidra CDI A Fundo Incentivo Infraestrutura – R$ 86,5 milhões (30/11/2025)
Outras carteiras relevantes incluem produtos de previdência e de renda fixa da Itaú Unibanco Asset, Absolute Dhama e gestores independentes.
Os montantes alocados em papéis do GPA são menores, reflexo das dificuldades financeiras anteriores da varejista. Os fundos com maiores posições são:
Imagem: infomoney.com.br
AZ Quest Valore RF Crédito Privado – R$ 31,9 milhões (30/11/2025)
AZ Quest Luce Prev Master II CP – R$ 30,2 milhões (30/11/2025)
SPX Seahawk Master CP – R$ 27,4 milhões (30/11/2025)
AZ Quest Luce Master RF CP – R$ 24,4 milhões (30/11/2025)
AZ Quest Altro Master Mult CP – R$ 21,4 milhões (30/11/2025)
Também aparecem na lista fundos de previdência das casas AZ Quest e SPX, além de veículos da Legacy Capital, JGP, Vinland Capital e outros gestores.
A expectativa é que as gestoras passem a marcar essas debêntures pelos preços de mercado, hoje em torno de 40% do valor de face no caso da Raízen e de 20% no GPA. O efeito sobre cada fundo dependerá do peso dos papéis na carteira; parte dos veículos já teria reduzido ou zerado a exposição diante das notícias de estresse financeiro.
Os episódios reforçam o risco inerente ao crédito privado, que costuma oferecer retornos superiores aos títulos públicos devido justamente à possibilidade de inadimplência. Nos fundos, entretanto, o prejuízo tende a ser amenizado pela diversificação dos ativos.