Quase quatro em cada cinco projetos de criptomoedas que sofrem um grande ataque jamais retomam a operação em plenitude, segundo Mitchell Amador, CEO da plataforma de segurança Web3 Immunefi.
Em entrevista, Amador afirmou que a maioria dos protocolos entra em “estado de paralisia” logo após a descoberta de uma brecha. “As equipes raramente sabem a dimensão da exposição e não têm um plano de resposta”, disse. A demora em decidir pelos próximos passos, aliada à subestimação do alcance do comprometimento, costuma provocar perdas adicionais, principalmente nas primeiras horas.
Segundo o executivo, muitos projetos evitam suspender contratos inteligentes temendo dano reputacional, enquanto a comunicação com os usuários praticamente cessa. O silêncio, observa, amplia o pânico e compromete a confiança da comunidade.
Alex Katz, CEO e cofundador da empresa de segurança Kerberus, reforçou que, mesmo após a correção técnica, a reconstrução da credibilidade é rara: “Em grande parte dos casos, um grande exploit é sentença de morte; usuários saem, a liquidez seca e o dano à reputação é permanente”.
Katz destacou que, se antes os noticiários eram dominados por falhas em contratos inteligentes, hoje as maiores perdas decorrem de erros operacionais e enganos humanos. Entre os exemplos recentes, um investidor perdeu mais de US$ 282 milhões em Bitcoin (BTC) e Litecoin (LTC) após ser enganado por alguém que se passou por suporte da Trezor e obteve a frase-semente de sua carteira de hardware.
Imagem: cointelegraph.com
Os ataques a plataformas e carteiras aumentaram em 2025, elevando as perdas totais para US$ 3,4 bilhões, maior valor desde 2022. Apenas três incidentes, incluindo o hack de US$ 1,4 bilhão à Bybit, responderam por 69% do montante.
Amador observa ainda que o avanço da inteligência artificial potencializou golpes de engenharia social, permitindo o disparo de milhares de mensagens de phishing personalizadas por dia.
Apesar do cenário adverso, Amador aposta em melhorias rápidas na segurança de contratos inteligentes, impulsionadas por auditorias mais robustas, ferramentas maduras e monitoramento on-chain. Para ele, 2026 pode ser “o ano mais forte” nesse quesito. O ponto crítico, contudo, segue sendo a prontidão para incidentes: parar o protocolo e comunicar-se de imediato, defende, causa menos danos do que permitir a escalada da incerteza.