O Banco Central decretou em novembro de 2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que levou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a preparar o maior ressarcimento de sua história: a estimativa é de R$ 41 bilhões em garantias, com possibilidade de chegar a R$ 49 bilhões. A operação envolve aproximadamente 1,6 milhão de credores.
Antes da intervenção, o Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração até 180% do CDI, enquanto instituições concorrentes pagavam entre 100% e 110%. As aplicações eram divulgadas com ênfase na proteção do FGC, que cobre valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.
Segundo economistas, a combinação de taxas acima da média e a divulgação da cobertura do FGC evidencia o risco moral — situação em que agentes econômicos assumem mais risco ao saber que parte de eventuais perdas será absorvida por terceiros. No caso, o FGC funciona como um seguro de depósitos, reduzindo o temor de corridas bancárias, mas também pode incentivar captação agressiva de recursos.
Com a liquidação, investidores dentro do limite de R$ 250 mil deverão ser ressarcidos, mas enfrentarão procedimentos burocráticos até a liberação dos valores. Para repor o pagamento aos credores, o FGC precisará elevar contribuições das demais instituições financeiras, encarecendo custos para todo o sistema.
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O controlador do banco, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo em 18 de novembro, mesmo dia em que funcionários deixaram a sede da instituição. A operação policial ocorreu em paralelo às medidas do Banco Central.
A liquidação do Banco Master e a mobilização bilionária do FGC reforçam o debate sobre o equilíbrio entre proteção ao pequeno investidor e incentivos que possam estimular práticas de elevado risco no mercado bancário.