São Paulo, 28 nov. (Reuters) – A Airbus determinou nesta sexta-feira (28) a execução de reparos urgentes em 6.000 aeronaves da família A320, o que representa mais da metade da frota em operação no mundo. A medida, motivada por um problema identificado em um voo recente, pode gerar atrasos e cancelamentos justamente no fim de semana de maior movimento nos Estados Unidos.
Segundo boletim enviado às companhias aéreas, testes indicaram que radiação solar intensa é capaz de corromper dados essenciais ao sistema de controle de voo. A correção principal consiste em reinstalar uma versão anterior de software, procedimento que deve ser concluído antes de cada avião voltar a voar.
A American Airlines, maior operadora global da família A320, informou que 340 de seus 480 jatos precisam do ajuste. A empresa planeja concluir a maior parte dos serviços até sábado, estimando duas horas de trabalho por aeronave.
A húngara Wizz Air já mapeou as unidades que exigem reparo, enquanto a United Airlines declarou não ter sido afetada. Lufthansa (Alemanha), IndiGo (Índia) e easyJet (Reino Unido) anunciaram retiradas temporárias de alguns aviões de linha para efetuar as correções.
Na América Latina, a colombiana Avianca disse que o recall atinge cerca de 100 aeronaves, mais de 70% de sua frota, provocando “interrupção significativa” nos próximos dez dias e a suspensão da venda de passagens até 8 de dezembro.
Fontes do setor atribuem a decisão a um evento ocorrido em 30 de outubro. Na data, o voo 1230 da JetBlue, que seguia de Cancún (México) para Newark (EUA), perdeu altitude de forma brusca, ferindo passageiros e obrigando a um pouso de emergência em Tampa, Flórida. A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) investiga o caso.
Existem cerca de 11.300 aeronaves da família A320 em serviço, incluindo 6.440 do modelo A320 — lançado em 1987 e responsável por tornar a Airbus líder em entregas frente ao Boeing 737. Quatro das dez maiores operadoras desses jatos são norte-americanas: American, Delta, JetBlue e United.
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Para aproximadamente dois terços dos aviões afetados, bastará a reinstalação do software anterior. Entretanto, mais de 1.000 unidades podem exigir também substituição de hardware, prolongando a paralisação, informaram fontes do setor.
O defeito foi rastreado ao sistema ELAC (Elevator and Aileron Computer), responsável por transmitir os comandos do manche aos profundores e ailerons, controlando o ângulo de arfagem da aeronave. A fabricante do equipamento, a francesa Thales, declarou que o hardware cumpre as especificações da Airbus e que o software envolvido não está sob sua responsabilidade.
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) deve publicar diretriz de emergência tornando o reparo obrigatório em todas as aeronaves abrangidas.
O A320 foi o primeiro jato comercial de grande porte a utilizar controles eletrônicos do tipo “fly-by-wire”, tecnologia agora no centro do maior recall já conduzido pela Airbus em seus 55 anos de história.