A primeira parcela do décimo terceiro salário já foi creditada, e a segunda deve ser paga até 19 de dezembro. Para quem não precisa usar todo o valor no pagamento de dívidas ou despesas imediatas, o montante extra pode funcionar como ponto de partida para estruturar as finanças e investir.
A planejadora financeira Nayra Sombra, CFP pela Planejar e assessora na GWM Investments, aconselha que o primeiro destino do 13º seja a formação da reserva de emergência. O objetivo é cobrir imprevistos sem recorrer a crédito caro.
• Trabalhador CLT: guardar o equivalente a seis meses de despesas fixas.
• Profissional autônomo: objetivo sobe para 12 meses.
Segundo Nayra, a poupança não protege contra a inflação. Como alternativas, ela indica CDBs com liquidez diária que paguem em torno de 100% do CDI, Tesouro Selic e fundos DI simples.
Depois da reserva, o foco deve ser as contas sazonais de 2026, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, normalmente concentradas em janeiro e fevereiro. Nayra recomenda separar parte do décimo terceiro para esses gastos e, quando houver desconto, optar pelo pagamento à vista.
Na prática, a especialista organiza o uso do salário extra em “caixinhas”: reserva de emergência, despesas de começo de ano, bem-estar e lazer da família, desenvolvimento pessoal e somente depois investimentos de prazo maior.
Com a taxa Selic em 15% ao ano e projeção de recuo gradual — o Boletim Focus prevê 12,5% em 2026 — a renda fixa permanece como protagonista, afirmam Nayra e Holger Breh, sócio-fundador da Logus Capital.
Breh lembra que, nos últimos três anos, CDBs pós-fixados a 100% do CDI superaram a maior parte dos multimercados e carteiras de ações. Porém, com a política monetária no pico, ele vê espaço para diversificar em:
• Títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA+), com taxa real em torno de 7,6% a 8% ao ano.
• Prefixados de prazo mais longo, oferecidos a cerca de 13% ao ano.
Imagem: Gabriel de Almeida Vergani via valorinveste.globo.com
Na avaliação de Breh, quem travar essas taxas pode capturar valorização extra se os juros caírem.
Nayra sugere compor a carteira com papéis isentos de Imposto de Renda, como LCI e LCA, para elevar a rentabilidade líquida. Na parte atrelada à inflação, CRA, CRI e debêntures incentivadas entram como opção, embora apresentem maior risco de crédito.
Breh reforça a importância de reservar pelo menos uma fração em pós-fixados com liquidez diária, caso o dinheiro seja necessário de forma rápida. “Continuar ‘sofrendo’ com 15% ao ano não machuca ninguém”, brinca.
Após cumprir a reserva e proteger o início de 2026, investidores dispostos a volatilidade podem destinar uma parcela menor a ativos de risco:
• Ações: preferência por empresas pagadoras de dividendos, distribuídas em ao menos cinco setores distintos.
• Fundos imobiliários: diversificar entre fundos de papel e de tijolo, priorizando vacância entre 80% e 90%.
• Ouro e criptoativos: até 1% a 5% da carteira, como proteção ou diversificação adicional.
Nayra ressalta que, mesmo para perfis arrojados, a renda fixa continua sendo base de segurança. Já Breh recomenda enviar o décimo terceiro para a bolsa ou fundos imobiliários apenas se o valor não fizer falta no curto prazo.
O consenso entre os especialistas é estabelecer prioridades: primeiro a reserva de emergência, depois as despesas de início de ano e, só então, investimentos de prazo maior — sempre respeitando objetivos, prazos e perfil de risco de cada investidor.