São Paulo, 28 de novembro de 2025 – O Ibovespa encerrou novembro com ganho de 6,37%, cravando o quarto mês consecutivo de valorização e registrando o melhor desempenho mensal desde agosto de 2024. O principal índice da B3 avançou dos 149 mil para os 159 mil pontos, renovando recordes ao longo do período.
No mesmo intervalo, o dólar recuou 0,85% frente ao real e terminou a última sessão do mês cotado a R$ 5,3348.
A forte movimentação de investidores internacionais sustentou o rali. A queda dos juros nos Estados Unidos e a expectativa de novo corte em dezembro aumentaram o diferencial de taxas e impulsionaram o fluxo de recursos para a bolsa brasileira.
O mercado passou a precificar mais de 80% de probabilidade de o Federal Reserve reduzir a Fed Funds Rate para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) marcada para dezembro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano pela terceira vez seguida. Durante o mês, diretores do Banco Central reiteraram que os juros permanecerão elevados até que a inflação convirja para a meta. Contudo, o diretor de Política Monetária, Nilton David, afirmou que uma alta adicional não faz mais parte do cenário-base, o que levou parte do mercado a prever início de cortes entre janeiro e março de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais, concede descontos a rendas de até R$ 7.350 e cria tributação para ganhos superiores a R$ 600 mil anuais. A Receita Federal estima impacto positivo de R$ 1,9 bilhão.
No dia 20, o presidente norte-americano Donald Trump assinou decreto que suspende tarifas de 40% sobre 238 produtos agrícolas brasileiros — entre eles café, carne bovina e frutas — com efeito retroativo a 13 de novembro, data de reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio em Washington. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, ainda permanecem sobretaxas em 22% das exportações brasileiras, sobretudo de bens industriais.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Em 19 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após uma crise de liquidez. O conglomerado representava 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional. A Operação Compliance Zero da Polícia Federal levou à prisão do controlador Daniel Vorcaro; a corporação aponta possível fraude de R$ 12 bilhões. O Fundo Garantidor de Créditos calcula desembolso de R$ 41 bilhões para honrar garantias, equivalente a um terço do seu caixa de R$ 122 bilhões em recursos líquidos.
MRV (MRVE3) liderou os ganhos com alta de 23,02%, seguida por Magazine Luiza (MGLU3) +21,37%, RD Saúde (RADL3) +20,05%, Petz (PETZ3) +19,62% e Vamos (VAMO3) +18,21%. B3 (B3SA3), Cyrela (CYRE3), CPFL Energia (CPFE3), Axia Energia (AXIA6) e Taesa (TAEE11) completaram o grupo das dez maiores valorizações.
Na ponta oposta, Hapvida (HAPV3) recuou 54,92%. PetroReconcavo (RECV3) caiu 13,85%, Minerva (BEEF3) 13,23%, Raízen (RAIZ4) 11,58% e CSN (CSNA3) 10,59%. CSN Mineração (CMIN3), Marcopolo (POMO4), Natura (NATU3), Brava Energia (BRAV3) e Usiminas (USIM5) também figuraram entre as maiores perdas.
Com o desempenho de novembro, o Ibovespa mantém a trajetória positiva iniciada em agosto e mira novos patamares à medida que investidores acompanham política monetária, agenda fiscal e desdobramentos externos.