Até o fim, Charlie Munger seguiu estudando, investindo e recebendo amigos

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Quase um ano após a morte de Charlie Munger, ocorrida em 28 de novembro de 2023, o Wall Street Journal descreveu como o vice-chair da Berkshire Hathaway manteve a disciplina intelectual, o gosto por apostas fora do consenso e o bom humor nos seus últimos dias de vida.

Rotina de perguntas e estudos

Mesmo já com mobilidade reduzida, Munger continuava a vasculhar temas que considerava relevantes. Uma ou duas semanas antes de morrer, ele queria saber se a Lei de Moore ainda se aplicava na era da inteligência artificial, contou o amigo e investidor Jamie Montgomery. O enteado Hal Borthwick acrescentou que a curiosidade nunca se apagou: a mente “seguia funcionando” até o momento do falecimento, aos 99 anos.

Aposta inesperada em carvão

Em 2023, Munger contrariou décadas de distanciamento do setor de carvão e comprou ações da Consol Energy e da Alpha Metallurgical Resources. Ao ler um artigo que apontava o declínio da indústria, classificou a avaliação como “tolice”, segundo Borthwick. As posições deram retorno expressivo antes de sua morte, reforçando o perfil contrarian que marcou sua carreira.

Mentoria e laços pessoais

A reportagem relembra ainda a relação com Avi Mayer, vizinho que conheceu quando o jovem tinha 17 anos. Munger ouviu suas dificuldades financeiras, ofereceu conselhos e, mais tarde, ajudou a viabilizar sua entrada no mercado imobiliário. O grupo liderado por Mayer soma hoje cerca de US$ 3 bilhões em ativos em garden apartments na Califórnia, e Munger participou de uma negociação finalizada poucos dias depois de sua morte.

Cafés da manhã semanais

Todas as terças-feiras, o investidor recebia executivos e colegas para longas conversas matinais. Nessas reuniões, usava exemplos bem-humorados para destacar princípios de alocação de capital. Montgomery recorda que ele gostava de dizer que, sem os cinco principais investimentos, o retorno histórico da Berkshire seria apenas mediano. Em outro encontro, após analisar resultados por linha de produto da Ford, disparou: “Por que insistir em produzir automóveis?”.

Humor diante da idade

Munger não perdia a ironia nem ao falar do próprio envelhecimento. A um visitante, brincou que seria ótimo “voltar a ter 86 anos”. Sobre o futuro da Berkshire, demonstrava confiança: afirmou que, depois de estruturada, a companhia poderia seguir adiante sem ele e Warren Buffett, pois já dispunha de um arcabouço sólido para avaliar investimentos.

Charlie Munger completaria 100 anos em 1º de janeiro de 2024. Até seus últimos dias, continuou a estudar, a orientar parceiros de negócios e a cultivar amizades que atravessaram décadas.

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