O Banco Central (BC) enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um relatório em que aponta indícios de fraude em operações do Banco Master com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. O documento, obtido pelo TCU, indica que o órgão regulador acionou o Ministério Público Federal (MPF) após a identificação das irregularidades.
De acordo com o relatório, entre julho de 2023 e julho de 2024, Master e Reag estruturaram transações que violam normas do Sistema Financeiro Nacional. As operações integram um conjunto de negócios do banco de Daniel Vorcaro que totalizam R$ 11,5 bilhões, dois deles ligados diretamente à gestora investigada.
O BC relatou ao TCU falhas de gerenciamento de capital e risco, ausência de garantias, liquidez e diversificação, fatores que agravaram a crise da instituição e motivaram a abertura de processos administrativos sancionadores, atualmente em fase de instrução.
A Reag foi alvo da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto para apurar vínculos entre o setor de combustíveis, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas financeiras. Fontes ligadas à investigação indicam que os fundos Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, administrados pela Reag, teriam sido usados para pulverizar recursos em nome de terceiros.
Parte desses valores, segundo o BC, foi realocada na tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
O processo no TCU, conduzido sob sigilo pelo ministro relator Jhonatan de Jesus, apura possíveis falhas e omissões do Banco Central no caso. Técnicos e ministros da corte consultados reservadamente divergem sobre a possibilidade de o tribunal anular a liquidação do Master, decretada pelo BC em novembro de 2025.
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Nesta terça-feira (30.dez.2025), Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, prestaram depoimento à Polícia Federal na sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro e Costa participaram ainda de uma acareação devido a versões conflitantes.
As oitivas foram acompanhadas por um representante do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das apurações sobre o Master no STF. Desde o início de dezembro, qualquer diligência relativa ao banco e a Vorcaro precisa do aval do magistrado.
A investigação sobre a tentativa de venda do Master aponta que, antes da formalização do negócio, o banco teria forjado e negociado com o BRB aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado, sendo R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios — valor atribuído ao potencial da carteira acrescido de bônus.