A procura por calçados mais confortáveis, especialmente após o período de home office na pandemia, deve fazer o mercado brasileiro de tênis fechar 2025 com faturamento de R$ 21,6 bilhões, crescimento de 15% em relação a 2024 e de 84% frente a 2020, segundo projeção da Euromonitor.
Dentro do setor, os chamados “sneakers” — versões casuais mais voltadas ao estilo do que à performance esportiva — devem movimentar R$ 7,5 bilhões em 2025, o dobro do registrado em 2020.
No grupo Azzas 2154, um dos maiores fabricantes do país, os tênis casuais já representam 40% das vendas da Anacapri e 25% da Schutz. O CEO Alexandre Birman avalia que a Arezzo, outra marca do grupo, tem grande oportunidade nesse nicho.
Em novembro de 2025, a Lupo Sports entrou no segmento com o modelo Origem, produzido por terceiros no Brasil. “Hoje a moda esportiva serve para todas as ocasiões e idades”, afirma a CEO Liliana Aufiero.
A catarinense Live! apresentou em dezembro seus primeiros tênis próprios — Live! Loop e Live! One — fabricados no Vietnã após dois anos de pesquisa. A empresa projeta faturar R$ 1 bilhão em 2025, alta de 38% sobre 2024, apoiada em 378 lojas, 103 delas próprias. Segundo a gerente de marketing Patricia Calixto, o objetivo é atender também o público feminino, ainda minoritário em calçados esportivos.
Hoje, quatro em cada dez pares vendidos no Brasil são tênis; em 2020, eram 3,4. A prática de atividades físicas, especialmente corridas de rua, estimula o consumo. O país soma cerca de 8.500 provas anuais, de acordo com o site WebRun.
Na plataforma Ticket Sports, que oferece inscrições para diferentes modalidades, metade dos participantes de 2025 era estreante. Ao todo, foram 11.240 eventos cadastrados, aumento de 32% ante 2024.
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O Grupo SBF, dono da Centauro e da distribuidora da Nike no país (Fisia), criou em 2024 o circuito Desbrava. A iniciativa passou por 20 cidades em 2025, o dobro do ano anterior. O kit de participação custa de R$ 99,90 a R$ 209,90 e dá 20% de desconto na loja onde é retirado.
“A corrida é um dos esportes mais democráticos e começa com a escolha de um bom tênis”, diz Fábio Viana, diretor de calçados da Centauro.
Para a Adidas, o Brasil figura entre os dez maiores mercados globais. Em 2026, a companhia será uma das patrocinadoras da Copa do Mundo e fornecerá a bola oficial, batizada de Trionda — referência às três sedes da competição (México, Canadá e Estados Unidos). Em São Paulo, a marca instalou um espaço promocional próximo à árvore de Natal do parque Ibirapuera e é parceira do local para o próximo ano. A empresa já patrocina a Meia Maratona de São Paulo e a Maratona do Rio.
Em junho de 2025, os bilionários do 3G Capital Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira adquiriram a americana Skechers por US$ 9,4 bilhões (R$ 51,2 bilhões). Embora a marca atue no Brasil por meio de importados, sua participação ainda é pequena. Entre as nacionais, Olympikus e Mizuno (da Vulcabras) figuram entre as líderes de venda.
A Euromonitor calcula que o mercado mundial de tênis deve chegar perto de R$ 1 trilhão (US$ 179 bilhões) em 2025. A China aparece como principal consumidora em valor. No entanto, o ritmo de expansão brasileiro — 84% entre 2020 e 2025 — supera a média global, estimada em 44% no período.