São Paulo — O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) entra em 2026, quarto ano de sua atual edição, com a maior parte dos aportes vindo da iniciativa privada e ênfase em habitação e infraestrutura rodoviária.
Lançado em agosto de 2023, o pacote prevê investimentos de cerca de R$ 1,8 trilhão em todo o país, dos quais R$ 1,3 trilhão estão programados até dezembro de 2026; o restante fica para os anos seguintes.
Dados da Casa Civil indicam que, até agosto de 2025, foram executados R$ 944,8 bilhões. Desse total, 46,3% têm origem privada, superando recursos do Orçamento Geral da União, financiamentos e investimentos estatais.
Ao todo, o programa reúne 34 mil empreendimentos distribuídos em eixos como transporte, ciência e tecnologia, infraestrutura social, cidades sustentáveis, água, inclusão digital, transição energética, educação e saúde.
Segundo Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a participação privada reflete um “novo padrão de financiamento”. Além do apoio do BNDES, empresas acessam capital externo e recorrem à emissão de debêntures.
Monitoramento da Anbima mostra que as debêntures incentivadas atingiram volume recorde de R$ 19,7 bilhões em ofertas em outubro de 2025. Nos dez primeiros meses do ano, emissões somaram R$ 133,3 bilhões, alta de 19,2% ante o mesmo período de 2024.
A versão lançada em 2007 começou com R$ 18,1 bilhões e era dominada por investimentos estatais. O ápice ocorreu em 2014, quando R$ 97,4 bilhões foram aplicados, ano de Copa do Mundo e início de déficits fiscais.
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A Abdib calcula que, do montante previsto até 2026, R$ 531,5 bilhões se destinam ao eixo “cidades sustentáveis e resilientes”, que inclui o Minha Casa, Minha Vida. Para “transporte eficiente e sustentável” estão reservados R$ 217,5 bilhões, sendo R$ 96 bilhões para rodovias.
Entre janeiro de 2023 e agosto de 2025, obras públicas duplicaram 180 km e construíram 221 km de estradas. Estão em andamento a duplicação da BR-116/RS (Porto Alegre–Novo Hamburgo), a ponte sobre o rio Xingu na BR-230/PA e a nova ponte sobre o rio Tocantins entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA).
No segmento portuário, a Abdib contabiliza a conclusão de 47 projetos, envolvendo R$ 3,6 bilhões em dez estados. Leilões recentes e a repactuação de concessões “estressadas” também ampliaram o fluxo de capital privado.
Para o advogado Fernando Vernalha, a gestão dos recursos é dificultada pela participação de entes federativos. Problemas orçamentários em estados ou municípios podem interromper obras, e a limitação de espaço fiscal da União é outro entrave.
A Abdib estima que os investimentos em infraestrutura totalizarão R$ 280 bilhões em 2025, novo recorde. Desse valor, 84% deverão vir do setor privado. Apesar do patamar histórico, o crescimento real deve desacelerar para cerca de 3%, após altas de 19,5% em 2023 e 15,3% em 2024.