Empresas de tecnologia estudam instalar data centers de IA no espaço para superar falta de energia e terreno

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Grandes nomes da tecnologia e do setor espacial avaliam construir data centers em órbita para suprir a crescente demanda energética da inteligência artificial. A ideia, considerada por executivos do Google, SpaceX, Amazon, OpenAI, Nvidia e outras companhias, prevê lançamentos de teste já a partir de 2027.

Pressão por energia e espaço

O avanço acelerado da IA elevou o número de data centers em construção no mundo, mas projetos em áreas urbanas enfrentam barreiras como falta de eletricidade disponível, disputas por uso de água e resistência de comunidades locais. Segundo estimativas do setor, empresas como Meta, Microsoft, Amazon e OpenAI destinam atualmente centenas de bilhões de dólares a novas instalações—só a OpenAI teria reservado US$ 1,4 trilhão.

Projeto Suncatcher

Em novembro, o Google anunciou o Projeto Suncatcher, que pretende colocar um protótipo de data center no espaço em 2027. O estudo divulgado pela empresa indica que a operação ficaria financeiramente viável quando o custo de lançamento cair para cerca de US$ 200 por quilograma, nível que poderia ser atingido em meados da década de 2030.

Apoio de líderes do setor

Elon Musk afirmou em conferência recente que, em até cinco anos, data centers espaciais serão a opção mais barata para treinar sistemas de IA. Jeff Bezos (Blue Origin), Sam Altman (OpenAI) e Jensen Huang (Nvidia) também manifestaram apoio à iniciativa. Para Philip Johnston, diretor executivo da startup Starcloud, “não é questão de se, mas de quando”.

Como funcionaria

Os modelos estudados lembram satélites de grande porte, com servidores rodeados por quilômetros de painéis solares. A energia seria captada quase 24 horas por dia, sem interferência de nuvens, e as estruturas precisariam ser substituídas a cada cinco anos, prazo médio de renovação dos chips. Observadores na Terra poderiam enxergar esses satélites ao amanhecer e ao anoitecer, com brilho equivalente a um quarto do diâmetro da Lua.

Desafios técnicos e econômicos

Hoje, lançar um quilograma de material ao espaço custa em torno de US$ 8 mil; a tarifa mais baixa, oferecida pela SpaceX, é de aproximadamente US$ 2 mil. Cada rack de servidores pode pesar mais de 1.000 kg. Além do preço, há obstáculos como radiação, que danifica semicondutores, e a necessidade de grandes radiadores para dissipar calor no vácuo.

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Imagem: redir.folha.com.br

Para o físico Phil Metzger, da Universidade da Flórida Central e ex-colaborador da NASA, o modelo de negócio “é plausível” e vem sendo discutido há anos. Já Pierre Lionnet, economista da associação Eurospace, considera algumas projeções “sem sentido” diante dos limites atuais de engenharia e custos.

Planos da SpaceX

A SpaceX estuda abrir capital no próximo ano para captar recursos destinados, entre outros objetivos, a data centers de IA em órbita, segundo carta de seu diretor financeiro, Bret Johnsen. Musk chegou a mencionar, na rede social X, a construção de 300 gigawatts de capacidade computacional fora da Terra—mais da metade da energia consumida anualmente nos Estados Unidos.

Embora especialistas discordem sobre prazos e viabilidade, a convergência entre os setores de IA e espacial coloca os data centers fora do planeta como opção cada vez mais debatida para sustentar o crescimento da inteligência artificial.

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