O assessor de investimentos Michael Viriato destacou, em artigo publicado no blog De Grão em Grão em janeiro de 2026, que o simples ato de poupar não garante segurança financeira se não houver um plano claro para o uso do dinheiro.
Segundo Viriato, muitas pessoas acumulam recursos mensalmente — comparado por ele a empilhar caixas em um depósito — e sentem alívio ao ver o saldo crescer. Entretanto, a ausência de objetivos definidos faz com que o patrimônio permaneça sem direção, gerando sensação constante de insegurança.
O especialista diferencia sonhos de objetivos: o primeiro não exige precisão; o segundo inclui cálculo de custos, prazos e critérios para medir progresso. “Patrimônio só se torna investimento quando se sabe para que serve e quando será utilizado”, escreve.
Viriato cita o psicólogo Daniel Kahneman para explicar a resistência a mudanças. A aversão à perda faz com que a simples poupança pareça mais segura do que o planejamento, visto como algo complexo e arriscado. Ele também recorre ao filósofo Epicteto para lembrar que a interpretação dos fatos — e não os fatos em si — provoca inquietação.
Para o assessor, planejar implica transformar desejos em números, datas e cenários revisados periodicamente. Sem esse processo, o dinheiro fica “parado à espera de uma decisão que nunca chega”, afirma, comparando a situação a uma empresa que mantém caixa volumoso sem justificativa nem estratégia.
Imagem: redir.folha.com.br
O autor propõe uma reflexão direta ao leitor: identificar hoje quais objetivos o patrimônio irá atender, em que condições e em qual momento da vida. Caso a resposta não seja clara, conclui, é sinal de que o dinheiro está apenas acumulado — e não investido de fato.
Michael Viriato é sócio fundador da Casa do Investidor.