Analistas veem Ibovespa rumo aos 200 mil pontos mesmo com dúvidas sobre Selic e eleições

Estratégias de investimento4 dias atrás23 Visualizações

A combinação esperada de corte de juros no Brasil a partir do início de 2026 e redução gradual das taxas nos Estados Unidos sustenta a projeção de novos recordes para o Ibovespa no primeiro semestre do próximo ano. Especialistas ouvidos pela Broadcast calculam que o índice pode atingir a marca inédita de 200 mil pontos já por volta da metade de 2026, desde que o processo eleitoral colabore.

Volatilidade eleitoral

A corrida presidencial tende a impor oscilações significativas. Em dezembro, um ruído político derrubou o Ibovespa em 8 mil pontos em um único pregão, saindo da máxima de 165 mil pontos, após receios de ausência de um candidato de direita competitivo. Analistas citam a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prolongar sua pré-candidatura além do Carnaval, o que poderia enfraquecer a alternativa do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) como nome liberal capaz de rivalizar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em caso de vitória, aplicar um ajuste fiscal em 2027.

Atração nos preços

Mesmo com o cenário político incerto, especialistas destacam a valorização contida das ações. O múltiplo preço/lucro (P/L) do Ibovespa ronda 9 vezes, abaixo da média de 12 vezes observada em outros emergentes. Matheus Amaral, do Banco Inter, calcula que a relação de 10 vezes o lucro permitiria ao índice buscar 170 mil, 180 mil ou até 200 mil pontos.

Na Monte Bravo, o estrategista-chefe Alexandre Mathias projeta o Ibovespa em 180 mil pontos no primeiro semestre de 2026 e 225 mil pontos no fim do ano, cenário que depende de um ajuste fiscal crível após as eleições. O Bank of America, por sua vez, estima 180 mil pontos em 2026 — cerca de 9% acima da máxima de 2025 — e vê potencial de 210 mil pontos se houver sinal concreto de disciplina fiscal; no cenário adverso, o índice pode recuar a 130 mil pontos.

Influência dos juros

A perspectiva de juros globais mais baixos reforça a visão positiva. O Federal Reserve cortou a taxa americana pela terceira vez em 10 de dezembro, para 3,50%-3,75% ao ano, e, apesar do discurso cauteloso, o mercado espera mais reduções até o fim do primeiro semestre de 2026, quando o mandato do presidente Jerome Powell se encerra.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva na mesma data, adotando tom conservador. A indefinição sobre o início dos cortes — inicialmente esperados para janeiro, agora mais prováveis em março — aumenta a atenção dos investidores. Para Álvaro Bandeira, da Apimec Brasil, mesmo com um Banco Central firme no discurso, os múltiplos do mercado acionário doméstico continuam atraentes em comparação com pares internacionais.

Amaral, do Inter, ressalta que o ritmo de queda da Selic ao longo de 2026 será o principal fator macroeconômico para a Bolsa, em um ano que promete forte volatilidade por causa da eleição presidencial.

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