O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 3 de janeiro de 2026, que grandes companhias petrolíferas norte-americanas entrarão na Venezuela para restaurar a produção de petróleo. Segundo o líder norte-americano, a presença militar dos EUA no país vizinho será mantida por tempo indeterminado, “até que haja uma transição de poder segura”.
Durante entrevista coletiva sobre a operação que deteve Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, Trump afirmou que as empresas “gastarão bilhões de dólares” para reparar a infraestrutura venezuelana, hoje em “péssimo estado”, e que todo o investimento será reembolsado com receitas do próprio petróleo local. A Venezuela detém 17% das reservas provadas de petróleo do planeta, as maiores do mundo.
“Nossas grandes companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, disse o presidente. Ele alegou que a ocupação “não custará um centavo” aos contribuintes dos EUA, pois os recursos virão “do dinheiro que sair do solo venezuelano”.
Trump também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado, “à força”, de uma indústria “construída com capital e expertise americanos”. Para ele, a nacionalização de 1976, que criou a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), representou um dos “maiores roubos de propriedade americana” da história dos Estados Unidos.
Atualmente, a Chevron é a única grande petroleira dos EUA ainda ativa na Venezuela. Sob autorização especial, a companhia exporta cerca de 150 mil barris diários para a Costa do Golfo estadunidense. Outras gigantes, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, deixaram operações no país, mas mantêm histórico significativo na região.
O American Petroleum Institute (API), principal entidade do setor nos EUA, informou que acompanha “de perto” a situação e avalia eventuais impactos nos mercados globais de energia.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
O interesse norte-americano pelo petróleo venezuelano intensificou-se em dezembro. No dia 16, Washington impôs um bloqueio naval, assumindo o controle de dois petroleiros venezuelanos. À época, a Casa Branca justificou a medida como forma de cortar recursos a grupos ligados ao narcotráfico e classificou o governo Maduro como “organização terrorista estrangeira”.
A campanha de pressão incluiu aumento da presença militar na região e mais de duas dezenas de ataques a embarcações no Oceano Pacífico e no Mar do Caribe, que resultaram em pelo menos 100 mortes, segundo dados oficiais. “A Venezuela está completamente cercada pela maior Armada já reunida na História da América do Sul”, disse Trump em dezembro, prometendo intensificar a operação até que “todo o petróleo, terra e outros ativos” fossem devolvidos aos Estados Unidos.
Com a prisão de Maduro e o anúncio de novos investimentos, Washington reforça a estratégia de assumir o controle da produção venezuelana enquanto negocia uma futura transição política no país.