O valor enviado para carteiras de criptomoedas classificadas como ilícitas alcançou US$ 154 bilhões em 2025, crescimento de 162% em comparação com os US$ 59 bilhões movimentados em 2024. O dado consta do relatório de crimes em cripto divulgado pela empresa de análise blockchain Chainalysis.
Segundo o estudo, sanções aplicadas contra Estados nacionais ao longo de 2025 foram o principal fator para o salto nos volumes. A Chainalysis identificou “volumes sem precedentes” vinculados a comportamentos on-chain de governos sob restrições econômicas.
No centro desse movimento está a Rússia, alvo de sanções por causa da invasão da Ucrânia. Em fevereiro de 2025, o país lançou o token A7A5, lastreado no rublo, que movimentou mais de US$ 93,3 bilhões em menos de um ano.
O Global Sanctions Inflation Index estimou em maio de 2025 a existência de pouco menos de 80 000 pessoas e entidades sancionadas em todo o mundo. Apenas nos Estados Unidos, 3 135 nomes foram adicionados à lista Specially Designated Nationals and Blocked Persons em 2024, número considerado recorde pelo Center for a New American Security.
Os stablecoins responderam por 84% do volume ilícito em 2025, refletindo a tendência geral do mercado, que busca nesses ativos menor volatilidade, facilidade de transferência transfronteiriça e utilidade ampliada.
Imagem: cointelegraph.com
Apesar do avanço, a Chainalysis ressalta que 99% das transações em criptomoedas não estão ligadas a atividades ilegais. A participação ilícita aumentou ligeiramente em relação a 2024, mas permanece abaixo de 1% do volume atribuído.
Fora do universo cripto, a moeda fiduciária continua predominante nas operações ilícitas globais. A partir de estimativas anteriores do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, os ganhos de atividades criminosas equivalem a cerca de 3,6% do produto interno bruto mundial.