Porto do Açu cobra R$ 2,5 bilhões e chama OSX de “inquilina inadimplente”

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O Porto do Açu, complexo portuário de 130 km² no norte do estado do Rio de Janeiro, afirma que a OSX, companhia de construção naval controlada por Eike Batista, ocupa uma área do empreendimento sem pagar aluguel e acumula dívida de aproximadamente R$ 2,5 bilhões com a gestora do porto.

Dívida em recuperação judicial

A OSX entrou em sua segunda recuperação judicial no início de 2024, apresentando passivo total de R$ 7,9 bilhões. Segundo o presidente do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, o débito específico com o empreendimento cresce diariamente e compromete a utilização do espaço, que representa cerca de 2,5% do complexo.

“A receita anual da OSX é de R$ 70 milhões e o endividamento, somados outros credores, chega a R$ 9 bilhões. A companhia não tem condições de se reestruturar”, declarou Figueiredo, que trabalhou na antiga holding EBX antes de assumir o comando do porto.

Conflito pelo espaço

O executivo comparou a situação à de um locatário que decide permanecer em um imóvel sem pagar aluguel por uma década. Para ele, a permanência da OSX impede projetos considerados estratégicos, como a instalação de um terminal de exportação de grãos, centros de dados e plantas de hidrogênio verde.

Procurada, a OSX informou que não comenta o tema por se tratar de questão submetida a procedimento arbitral e atribuiu sua crise financeira à gestora do Porto do Açu, que, segundo a empresa, “tenta asfixiar” suas operações para assumir o terreno.

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Imagem: redir.folha.com.br

Planos de expansão

A Prumo Logística, controladora do Porto do Açu e pertencente aos fundos EIG e Mubadala em parceria com uma subsidiária do Porto de Antuérpia-Bruges, planeja transformar o local em alternativa para o escoamento de grãos, competindo com rotas tradicionais como Paranaguá, Santos e Arco Norte. “Nosso porto não tem fila de espera, o que reduz o custo total da operação”, disse Figueiredo.

Além do agronegócio, o porto busca atrair data centers—já solicitou conexão de energia à Atlas Renováveis—e avalia projetos ligados ao hidrogênio verde. O petróleo permanece como principal atividade; sobre oscilações do mercado, Figueiredo afirmou que variações de preço “fazem parte do jogo”.

Perfil do executivo

Eugenio Figueiredo, 48 anos, foi diretor financeiro da Prumo por 13 anos antes de assumir a presidência do Porto do Açu. Com duas décadas de experiência em finanças de projetos, fusões e aquisições, trabalhou na Vale e no grupo EBX.

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