Autoridades federais buscam identificar o destino de recursos que circularam pelo Banco Master, instituição que passou a ser tratada como insolvente desde o início de 2025. A apuração envolve Banco Central (BC), Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
De acordo com os investigadores, o Master concedia empréstimos a empresas que, em seguida, aplicavam o dinheiro em fundos de investimento. Parte desses veículos era administrada pela Reag — gestora já investigada por supostamente operar recursos de facções criminosas — e outra parte mantinha vínculo com negócios e ativos de Daniel Vorcaro, controlador do banco.
Os fundos teriam adquirido, de forma voluntária, créditos e direitos a receber por valores muito superiores aos seus preços reais. Quem vendia esses ativos embolsava lucros elevados e, segundo suspeitas, reaplicava o montante em outros fundos para ocultar a origem dos ganhos.
Órgãos de controle trabalham com a hipótese de que os beneficiários finais sejam laranjas ligados a Vorcaro. Investiga-se também se o dinheiro migrou para investimentos imobiliários, hotelaria, empresas de serviços de políticos ou de familiares de pessoas influentes.
Entre os pontos de atenção está a participação de fundos de previdência de servidores públicos, que compraram títulos do Master. Outro foco é o Banco de Brasília (BRB), estatal do Distrito Federal, acusado de adquirir créditos inexistentes do Master. Documentos enviados pelo BC ao MP indicam que a operação pode ter servido para evitar a quebra definitiva do banco de Vorcaro e encobrir irregularidades.
O avanço das investigações alimenta a expectativa de que Vorcaro negocie um acordo de colaboração premiada para reduzir eventual pena e preservar parte dos bens. Ao mesmo tempo, cresce a disputa política em torno do caso, com disseminação de informações falsas, vazamentos seletivos e ofensivas de escritórios de advocacia.
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O comportamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), também chama atenção. Ambos adotaram postura crítica ao BC, mas recuaram após surgirem indícios mais consistentes de fraude.
A CVM analisa operações dos fundos envolvidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Otto Lobo para comandar o órgão; Lobo é conhecido por decisões consideradas controversas no mercado. Paralelamente, governo, oposição e líderes no Congresso articulam para evitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Enquanto o inquérito segue, técnicos do BC avaliam o impacto das transações na saúde financeira do BRB. A conclusão deverá determinar os próximos passos da intervenção sobre o Master e eventuais responsabilizações civis e criminais.