Investigação apura rota do dinheiro desviado do Banco Master por fundos ligados à Reag e a Daniel Vorcaro

Mercado Financeiro1 mês atrás68 Visualizações

Autoridades federais buscam identificar o destino de recursos que circularam pelo Banco Master, instituição que passou a ser tratada como insolvente desde o início de 2025. A apuração envolve Banco Central (BC), Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com os investigadores, o Master concedia empréstimos a empresas que, em seguida, aplicavam o dinheiro em fundos de investimento. Parte desses veículos era administrada pela Reag — gestora já investigada por supostamente operar recursos de facções criminosas — e outra parte mantinha vínculo com negócios e ativos de Daniel Vorcaro, controlador do banco.

Compra de créditos superavaliados

Os fundos teriam adquirido, de forma voluntária, créditos e direitos a receber por valores muito superiores aos seus preços reais. Quem vendia esses ativos embolsava lucros elevados e, segundo suspeitas, reaplicava o montante em outros fundos para ocultar a origem dos ganhos.

Órgãos de controle trabalham com a hipótese de que os beneficiários finais sejam laranjas ligados a Vorcaro. Investiga-se também se o dinheiro migrou para investimentos imobiliários, hotelaria, empresas de serviços de políticos ou de familiares de pessoas influentes.

Papel de fundos de pensão e do BRB

Entre os pontos de atenção está a participação de fundos de previdência de servidores públicos, que compraram títulos do Master. Outro foco é o Banco de Brasília (BRB), estatal do Distrito Federal, acusado de adquirir créditos inexistentes do Master. Documentos enviados pelo BC ao MP indicam que a operação pode ter servido para evitar a quebra definitiva do banco de Vorcaro e encobrir irregularidades.

Possível delação e pressão política

O avanço das investigações alimenta a expectativa de que Vorcaro negocie um acordo de colaboração premiada para reduzir eventual pena e preservar parte dos bens. Ao mesmo tempo, cresce a disputa política em torno do caso, com disseminação de informações falsas, vazamentos seletivos e ofensivas de escritórios de advocacia.

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Imagem: redir.folha.com.br

O comportamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), também chama atenção. Ambos adotaram postura crítica ao BC, mas recuaram após surgirem indícios mais consistentes de fraude.

CVM sob nova direção

A CVM analisa operações dos fundos envolvidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Otto Lobo para comandar o órgão; Lobo é conhecido por decisões consideradas controversas no mercado. Paralelamente, governo, oposição e líderes no Congresso articulam para evitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Enquanto o inquérito segue, técnicos do BC avaliam o impacto das transações na saúde financeira do BRB. A conclusão deverá determinar os próximos passos da intervenção sobre o Master e eventuais responsabilizações civis e criminais.

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