São Paulo – A quase dois meses da intervenção do Banco Central (BC) no Banco Master, ocorrida em 18 de novembro, os aplicadores em certificados de depósito bancário (CDB) da instituição seguem sem receber a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Logo após a medida do BC, as fintechs que distribuíam os títulos enviaram e-mails aos clientes com orientações para cadastro no aplicativo do FGC. Ao acessar a plataforma, entretanto, os investidores encontram apenas o aviso de que o órgão “aguarda o envio das informações pelo liquidante para iniciar o pagamento”.
Criado em 1995, o FGC cobre perdas de até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira. Em liquidações anteriores, o repasse ocorreu com mais rapidez: beneficiários do Banco BRJ S.A. receberam em 27 dias, e os do Banco Neon, em 14 dias. No caso do Master, o volume a ser ressarcido pode chegar a R$ 41 bilhões, abrangendo aproximadamente 1,6 milhão de CPFs e CNPJs.
Os CDBs do Banco Master foram retirados de aplicativos de investimento depois que uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) — assinada pelo ministro Jhonatan de Jesus e posteriormente revista pelo presidente da corte, Vital do Rêgo — suspendeu temporariamente a liquidação, movimento que passou a ser chamado de “desintervenção”.
O controlador do banco, o empresário Daniel Vorcaro, tornou-se figura frequente em eventos patrocinados pela instituição junto a políticos e empresários, como iniciativas do Esfera Brasil, do Lide e do grupo Voto. O Master também contratou consultores como os ex-ministros Ricardo Lewandowski, Gustavo Loyola, Henrique Meirelles e Guido Mantega.
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Entre outras ações, Vorcaro fechou contrato com o escritório de parentes do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por valores acima da tabela da OAB, e contou com a atuação do advogado Augusto Botelho, que acompanhou o ministro Dias Toffoli em viagem de jatinho ao Peru.
O FGC afirma que depende do repasse de dados pelo liquidante para iniciar a devolução dos valores. Até a conclusão do processo, investidores aguardam a liberação dos recursos que, se estivessem hoje em aplicações atreladas à Selic, renderiam cerca de 15% ao ano.
O Banco Central, o TCU e o FGC não divulgaram novo prazo para o pagamento.