Em um quarto de século, apenas 16 companhias ocuparam as cinco maiores posições do Ibovespa, confirmando a predominância de instituições financeiras, empresas de energia, indústria pesada e telecomunicações no principal índice de ações da B3.
No fim de 2025, a composição de maior peso era formada por Vale, Petrobras, Itaú Unibanco, Bradesco e Eletrobras (atual Axia Energia). O domínio do setor financeiro é histórico: o Bradesco apareceu em 20 dos últimos 25 anos e o Itaú está no topo desde 2007. Banco do Brasil, Itaúsa e a antiga BM&FBovespa figuraram entre as líderes em períodos variados.
Em 2001, três das cinco ações de maior peso pertenciam a operadoras de telecomunicações, impulsionadas pela chegada da telefonia móvel após as privatizações dos anos 1990. Naquele ano, a Tele Norte Leste, originada da Telebrás e depois rebatizada como Oi, concentrava 16% do índice. Brasil Telecom Participações (posteriormente incorporada pela Oi) e Embratel (hoje parte da Claro) também estavam no topo. Atualmente, a Vivo é a única representante do setor no Ibovespa.
Desde 2000, nenhuma empresa de tecnologia atingiu as primeiras posições do índice brasileiro, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, onde Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon e Broadcom lideram o S&P 500. No Brasil, companhias como Ambev, Gerdau, Usiminas e OGX chegaram a figurar entre as maiores, mas setores como commodities, utilities e bancos continuam dominantes.
Analistas apontam potencial para a entrada de grandes grupos do agronegócio que ainda permanecem fora da bolsa. Segundo eles, poucas empresas de soja e grãos têm capital aberto e, mesmo assim, apresentam valor de mercado reduzido.
Imagem: redir.folha.com.br
O número de companhias no Ibovespa subiu de 48 no início dos anos 2000 para 79 hoje, depois de atingir o pico de 88 entre 2021 e 2022. A alta da Selic a 15% ao ano — maior nível desde 2006 — freou as ofertas públicas iniciais (IPOs) e incentivou empresas como Nubank e Inter a buscar listagem no exterior.
O recorde real do Ibovespa, corrigido pela inflação, foi registrado em 2008, equivalendo a 194.558 pontos de hoje, de acordo com a Economática. O pico nominal, de 164.456 pontos, ocorreu em 4 de dezembro de 2023; seria necessária valorização de cerca de 18,5% para superá-lo em termos reais.
Especialistas atribuem o desempenho de 2008 ao boom das commodities, impulsionado pela forte demanda chinesa por minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas, que ampliou a entrada de capital estrangeiro no país.