O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgará na próxima terça-feira o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro, e economistas alertam que o resultado deverá apresentar distorções provocadas pela paralisação de 43 dias do governo federal, encerrada em meados de novembro.
A projeção consensual compilada pela FactSet indica aumento de 0,3% em relação a novembro e avanço de 2,6% em 12 meses no índice cheio. Para o núcleo do CPI, que exclui energia e alimentos, a estimativa é de alta de 0,26% no mês e 2,6% no ano.
Greg Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que o relatório será “extremamente confuso” porque grande parte dos dados de outubro e novembro não pôde ser coletada durante a paralisação. Segundo ele, o Bureau of Labor Statistics (BLS) adotou a metodologia denominada carry-forward, que assume estabilidade de preços quando não há pesquisa presencial, o que gera viés de baixa.
A EY-Parthenon projeta também alta de 0,3% no mês e 2,7% em 12 meses para inflação cheia e núcleo, mas Daco vê risco de o resultado anual chegar a 2,8% devido à incerteza sobre os meses anteriores.
De acordo com Daco, o efeito mais problemático recai sobre os componentes de moradia, como aluguel e aluguel equivalente do proprietário, estimados em bases semestrais. O método de carry-forward indicou inexistência de variação nesses itens entre abril e outubro, comprimindo artificialmente a inflação de habitação.
Ele acrescentou que a coleta do CPI de novembro ocorreu na segunda quinzena do mês, período tradicional de descontos na temporada de Black Friday, o que também contribuiu para reduzir os preços informados.
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Essas distorções devem influenciar os resultados de inflação até abril, segundo Daco, e a correção não será imediata.
A Oxford Economics também prevê elevação de 0,3% para o índice cheio e para o núcleo em dezembro e ressalta que os efeitos da paralisação continuarão “ofuscando o sinal” do CPI. A consultoria destacou fraqueza incomum nos preços de vestuário e bens recreativos em novembro, atribuída à coleta durante o período de descontos.
Para a Oxford, o índice de moradia seguirá pressionando o resultado anual: o BLS ainda publicará um valor “artificialmente baixo” para o componente de abrigo em dezembro, e a correção total desse viés não deve ocorrer antes de abril de 2026.
Com as incertezas nos dados, analistas avaliam que o caminho da inflação nos próximos meses permanecerá nebuloso, dificultando a leitura do Federal Reserve sobre o avanço rumo à meta de 2%.