Investigação contra Jerome Powell amplia ofensiva de Donald Trump sobre o Fed

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Washington (12.jan.2026) – A abertura de uma investigação criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, intensificou a disputa entre o banco central e o governo Donald Trump.

Segundo promotores, o inquérito apura reformas em propriedades do Fed. O anúncio veio no domingo (11), horas antes de Powell divulgar um vídeo em que defende a instituição e sinaliza que continuará conduzindo a política monetária “com base nos dados”.

Trump nega envolvimento direto no caso, mas a investigação reforça uma série de ações do Executivo contra a autoridade monetária. Nos últimos meses, a Casa Branca tentou remover a diretora Lisa Cook, nomeou o aliado Stephen Miran para o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e demitiu Erika McEntarfer do Bureau of Labor Statistics, após a divulgação de números de emprego considerados desfavoráveis.

Sucessão antecipada

Powell termina o mandato em maio. Investidores especulam sobre o substituto, com os nomes de Kevin Hassett e Kevin Warsh entre os mais citados. A percepção crescente é de que o próximo dirigente, qualquer que seja, atuará sob forte influência do presidente norte-americano.

Impacto nos mercados

Apesar da escalada política, os mercados acionários não registraram queda significativa. Analistas avaliam que, no curto prazo, uma eventual flexibilização monetária tende a sustentar os preços das ações, enquanto o risco maior recai sobre os títulos de longo prazo do Tesouro.

O ouro renovou máximas históricas, refletindo busca por proteção. Gestores também ampliam a exposição a dívidas fora dos Estados Unidos para reduzir a dependência de decisões do Fed.

Reações

Em evento realizado nesta segunda-feira (12) em Londres, o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, afirmou acreditar que o Fomc continuará “seguindo seu mandato” apesar da pressão política. Ele lembrou que a taxa básica é definida por um comitê, não por uma única pessoa.

Trump, que já defendeu limitar juros de cartão de crédito, restringir dividendos de empresas e forçar petrolíferas a produzir na Venezuela, agora volta as atenções ao Fed. Analistas veem risco elevado de interferência direta na condução da política monetária.

Ainda não há previsão de quando o Departamento de Justiça concluirá a investigação sobre Powell.

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