Tensão provocada por Trump mantém mercado global de café em alerta

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As sucessivas disputas comerciais conduzidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltaram a acender o sinal de alerta na cadeia mundial do café, já pressionada por quebras de safra, condições climáticas adversas e estoques reduzidos.

Principais produtores sob mira de Washington

O Brasil, maior fornecedor de café arábica, e o Vietnã, líder em robusta, foram incluídos nas primeiras rodadas de medidas americanas. México, Guatemala, Nicarágua e Colômbia, também exportadores relevantes, seguem na lista de possíveis alvos. A Colômbia, terceiro maior produtor global, e a Indonésia, quarta colocada e já signatária de acordo comercial com os EUA, completam o grupo monitorado pelo governo Trump.

Apesar da estimativa recorde de 179 milhões de sacas para a safra mundial divulgada em dezembro pelo Departamento de Agricultura dos EUA (Usda), os preços do grão subiram no início deste ano e alcançaram o maior patamar em três semanas.

Colômbia é o foco mais recente

Nas últimas semanas, a Colômbia tornou-se o principal alvo das críticas de Trump. O clima de tensão cedeu temporariamente, mas a possibilidade de novas sanções permanece. A Groenlândia, citada em ocasiões anteriores pelo presidente americano, está fora desse tabuleiro por não produzir café.

Tarifas reduzem presença brasileira no mercado dos EUA

O Brasil foi o primeiro a enfrentar sobretaxa imposta por Washington. Entre janeiro e outubro, os embarques brasileiros aos Estados Unidos somaram 5,9 milhões de sacas, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2024, segundo números americanos.

Com o espaço aberto pelos brasileiros, Colômbia e México ampliaram sua fatia. Um eventual agravamento nas relações desses dois países com os Estados Unidos pode reabrir caminho para o grão brasileiro.

Alemanha assume liderança nas compras do Brasil

Em 2025, já sob as novas tarifas, a Alemanha superou os Estados Unidos e tornou-se o principal destino do café brasileiro em volume, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Bélgica, Itália e Japão aparecem na sequência.

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Imagem: redir.folha.com.br

Exportações direcionadas ao mercado americano

Dados mais recentes do Usda indicam que, entre agosto e outubro, as vendas colombianas aos EUA cresceram 34% ante igual intervalo de 2024. O México registrou avanço de 3,4%, enquanto o Brasil recuou 38%.

Para atender à demanda norte-americana, os dois vizinhos recorreram ao café verde brasileiro: as importações colombianas originadas no Brasil saltaram 394% e as mexicanas, 68%.

Estoque mundial encolhe

As incertezas geopolíticas somam-se à queda dos estoques globais, que devem terminar a safra 2025/26 em 20,15 milhões de sacas, bem abaixo das 31,94 milhões registradas em 2020/21. Em Nova York, o volume certificado de arábica recuou para 456 mil sacas no fim de 2025, redução de 54% em 12 meses.

Receita recorde ao Brasil

Mesmo com tarifas e obstáculos logísticos, o Brasil encerrou 2025 com receita recorde de US$ 14,9 bilhões nas exportações de café, impulsionada pela valorização do produto. Nesta segunda-feira (12), porém, as cotações recuaram na bolsa de Nova York diante de previsões de clima mais favorável nas regiões produtoras brasileiras.

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