O fundo Verde Multimercado, administrado pela Verde Asset Management, registrou retorno de 15,94% em 2025. O desempenho superou o CDI no período, mas ficou distante dos 34% entregues pelo Ibovespa no acumulado do ano.
Segundo a carta mensal da gestora, os ganhos vieram principalmente de exposições em commodities, bolsa brasileira, inflação nos Estados Unidos, crédito e arbitragens de juros locais. Na ponta oposta, os maiores prejuízos foram atribuídos à posição na moeda Real e à venda a descoberto em bolsa no início de 2025.
A Verde destacou a valorização de ouro e outros metais preciosos em meio a um “ambiente de incerteza geopolítica cada dia mais latente”. A carta cita a captura do venezuelano Nicolás Maduro nos primeiros dias de 2026 como exemplo desse cenário e aponta o metal como reserva de valor preferida. Apesar disso, a gestora demonstra preocupação com o “movimento exponencial” observado em prata, platina e paládio, interpretado como sinal de euforia e mudança no padrão de risco.
No mercado doméstico, dezembro de 2025 foi marcado pelo anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro. Apesar do evento, o impacto sobre ativos locais foi amortecido por um ambiente global favorável e pela continuidade dos investimentos em mercados emergentes, entre eles o Brasil.
A moeda brasileira, entretanto, sofreu: o Real acumulou desvalorização superior a 3% no mês, pressionado por fatores sazonais e pela saída de dividendos extraordinários após a implementação de uma nova tributação. Diante da queda, o fundo elevou posições compradas em Real por meio de opções, buscando convexidade — estratégia que limita perdas e amplia potenciais ganhos — além de proteção contra ruídos políticos.
Imagem: Photographer Kevin Kloepper via valorinveste.globo.com
A Verde afirma observar uma “piora institucional quase cotidiana” no Brasil, combinada à volatilidade cambial, em contraste com o otimismo visto nos mercados globais. De acordo com a gestora, a redução da qualidade técnica em decisões regulatórias, tributárias e jurídicas pode não afetar preços de curto prazo, mas é considerada nociva para o país no horizonte mais longo.
“Esse tipo de deterioração incremental não costuma fazer preço no curto prazo, mas é bastante pernicioso no longo prazo e, em momentos de prêmios de risco mais apertados, convém lembrarmos”, conclui o documento.