Em coluna recente, o economista Michael França traça uma linha do tempo sobre a relação entre trabalho e sobrevivência, sugerindo que o crescimento da renda passiva pode remodelar essa dinâmica no futuro.
Histórico do trabalho
França lembra que, durante grande parte da história, a vida humana esteve diretamente vinculada ao esforço contínuo, sem espaço significativo para lazer. Mudanças institucionais, como a proibição do trabalho infantil e a criação da aposentadoria, romperam parcialmente essa lógica ao reservar períodos da vida fora da produção ativa.
Acúmulo de riqueza e autonomia
O autor observa que o surgimento de milionários e bilionários ampliou o número de pessoas capazes de viver de rendimentos financeiros, independentes do trabalho diário. Segundo ele, cresce o grupo que atinge esse patamar ainda cedo, seja por herança ou pelo próprio acúmulo de capital.
Perguntas sobre quem continuará produzindo
Para França, a expansão dos ganhos sem trabalho suscita dúvidas: quem sustentará a renda de quem vive de aplicações? A renda passiva, afirma, resulta da produção de terceiros, da exploração de recursos, do avanço tecnológico ou da arrecadação estatal. O economista indaga se todos poderão exercer esse poder ou se o efeito dominante será a ampliação das desigualdades.
Imagem: redir.folha.com.br
Desafios macroeconômicos
O colunista diz não saber se a tendência exigirá rearranjos profundos, sobretudo em um cenário de envelhecimento populacional e rápida inovação tecnológica. Ele menciona colegas da Folha, como Samuel Pessôa e Bernardo Guimarães, que acompanham esses debates macroeconômicos.
Autonomia e legislação trabalhista
França relaciona o tema ao debate sobre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), destacando que a discussão vai além de normas formais: envolve a disputa sobre quem controla o tempo e a vida dos trabalhadores. Para ele, cresce o desejo social de maior autonomia, flexibilidade e poder de escolha sobre quando e como trabalhar.
O artigo encerra com a ideia de que, mais do que nunca, há uma busca por “propriedade sobre o próprio tempo”, ecoando, segundo o autor, reflexões inspiradas na música “Construção”, de Chico Buarque.