O dólar à vista subiu 0,06% nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, e fechou cotado a R$ 5,3759. A moeda reagiu a indicadores de preços nos Estados Unidos, incertezas geopolíticas e notícias do ambiente político brasileiro.
Perto das 17h (horário de Brasília), o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes, avançava 0,27%, para 99,135 pontos.
O movimento seguiu a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) norte-americano. O indicador subiu 0,3% em dezembro ante novembro e acumulou alta de 2,7% em 12 meses, resultado em linha com as projeções do mercado.
Após o dado, investidores voltaram a considerar a possibilidade – ainda minoritária – de redução dos juros pelo Federal Reserve já em março. A aposta majoritária permanece em um primeiro corte em junho, com expectativa de dois ajustes ao longo de 2026.
Persistiu a preocupação de que o presidente dos EUA, Donald Trump, interfira na autonomia do Federal Reserve. No fim de semana, Trump ameaçou abrir processo criminal contra o presidente do banco central, Jerome Powell, por declarações dadas ao Congresso. Powell respondeu no domingo (11) que a atitude seria um pretexto para pressionar por cortes mais agressivos na taxa básica.
Em reação, dirigentes de 11 bancos centrais — entre eles Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco Central do Brasil — divulgaram nota conjunta em defesa da independência do Fed e da integridade de Powell.
As cotações do petróleo dispararam depois de Trump cancelar reuniões com autoridades iranianas e prometer apoio a manifestantes no país. O presidente também avisou que qualquer nação que mantiver negócios com o Irã estará sujeita a tarifa de 25% sobre transações com os EUA. A escalada elevou a busca por ativos mais seguros e afetou o câmbio.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
No Brasil, investidores monitoraram a primeira pesquisa eleitoral de 2026 divulgada pela plataforma Meio em parceria com o Instituto Ideia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno. No confronto direto, Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
O levantamento mostra rejeição de 40,8% a Lula, ante 30% a Flávio Bolsonaro, 26,1% a Michelle Bolsonaro e 16,2% a Tarcísio.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que o governo central fechou 2025 com déficit primário estimado em 0,1% do PIB, resultado dentro da meta de equilíbrio, que permite tolerância de até 0,25% do PIB. Considerados precatórios e indenizações de aposentados, o déficit alcança 0,48% do PIB.
Além disso, o Banco Central desistiu de recurso no Tribunal de Contas da União que contestava inspeção sobre documentos usados na liquidação do Banco Master, medida tomada um dia após encontro entre o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
A combinação desses fatores manteve o dólar perto da estabilidade, porém em leve alta, refletindo a cautela global e local.