A Saks Global Enterprises, controladora da rede de luxo Saks Fifth Avenue, solicitou proteção contra credores sob o Capítulo 11 da legislação norte-americana na terça-feira, no Tribunal de Falências do Distrito Sul do Texas. O pedido ocorre depois de a companhia deixar de pagar, em dezembro, um juro de US$ 100 milhões, agravando seu volume de dívidas.
Um dia após a solicitação judicial, a empresa informou ter obtido compromisso de financiamento de aproximadamente US$ 1,75 bilhão. O montante, fornecido por detentores de títulos sêniores garantidos e instituições que operam crédito lastreado em ativos, servirá para manter as operações durante o processo de reestruturação.
No mesmo comunicado, Geoffroy van Raemdonck foi nomeado diretor-presidente com efeito imediato. Ele destacou que todas as lojas físicas e plataformas de comércio eletrônico das bandeiras Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus, Bergdorf Goodman, Saks OFF 5TH, Last Call e Horchow continuarão em funcionamento.
A crise financeira ganhou força cerca de um ano após a canadense Hudson’s Bay Co., dona da Saks desde 2013, concluir a compra do Neiman Marcus Group por cerca de US$ 2,7 bilhões, em dezembro de 2024. A operação deu origem à holding Saks Global Enterprises e adicionou as marcas Neiman Marcus e Bergdorf Goodman ao portfólio, mas implicou a contração de aproximadamente US$ 2,2 bilhões em novos empréstimos.
Segundo Tim Hynes, chefe global de pesquisa de crédito da Debtwire, após o não pagamento dos juros em dezembro, a empresa tinha 30 dias para quitar o valor ou enfrentar inadimplência formal, condição que poderia resultar em falência. Ele acrescentou que o negócio foi estruturado com projeções agressivas de receita e redução de custos que não se concretizaram, enquanto o setor de varejo físico segue encolhendo.
Imagem: Daniella Genovese via foxbusiness.com
Além do elevado endividamento, grandes marcas passaram a incentivar compras diretamente em seus próprios canais, afetando redes de departamento como Saks e Neiman Marcus. Hynes observou que a companhia entrou no período de festas de fim de ano com caixa reduzido, o que limitou a formação de estoque e prejudicou uma eventual recuperação de curto prazo.
Para gerar liquidez, a varejista tem vendido ativos, incluindo a loja de referência da Neiman Marcus em Los Angeles. Analistas avaliam que a renegociação de aluguéis prevista para este ano, especialmente a do icônico ponto da Quinta Avenida, em Nova York, será decisiva para o futuro da operação.
Com o pedido de proteção judicial e o novo financiamento, a Saks Global tentará reorganizar suas finanças enquanto mantém as portas abertas aos clientes.