Toffoli pressiona Polícia Federal e reforça controle sobre provas no caso Banco Master

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Brasília – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), intensificou a cobrança sobre a Polícia Federal (PF) e ampliou seu controle sobre a investigação que apura irregularidades no Banco Master.

Operação e crítica à PF

Na última quarta-feira (14), Toffoli autorizou a segunda fase da operação Compliance Zero, que mirou 42 pessoas físicas e jurídicas. A ação incluiu buscas contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o empresário Nelson Tanure, além da prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

O ministro determinou que todas as provas recolhidas permaneçam lacradas e sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR), afastando a PF da guarda do material. Internamente, ele manifestou desconfiança quanto a possíveis vazamentos por parte da corporação.

Toffoli também enviou ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, cobrando explicações pelo descumprimento de prazos fixados para o cumprimento das diligências. O magistrado havia concedido 24 horas, na segunda-feira (12), para que a operação fosse deflagrada, prazo que não foi obedecido.

Sequência de decisões

• 3 de dezembro de 2025 – Toffoli assume a relatoria do inquérito no STF após recurso da defesa de Vorcaro, que alegou foro em razão de citação ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).
• 6 de janeiro de 2026 – A PGR solicita nova fase da investigação.
• 7 de janeiro – Toffoli autoriza as medidas cautelares propostas.
• 14 de janeiro – PF cumpre mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás e no Distrito Federal.

Pressões e incômodos

Fontes próximas ao ministro relatam desconforto com autoridades do governo, especialmente com a PF e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na segunda-feira (12), Haddad afirmou que o país pode estar diante da “maior fraude bancária da história”, comentário visto por Toffoli como antecipação de juízo sobre o caso.

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Imagem: redir.folha.com.br

O magistrado também se queixa de que notícias envolvendo o contrato do escritório da família do ministro Alexandre de Moraes com o Master e a participação de irmãos de Toffoli em fundo relacionado a Vorcaro vêm sendo usadas para questionar a conduta do STF.

Críticas de mercado e manutenção de sigilo

Setores do mercado financeiro acusam o ministro de proteger Vorcaro ao manter o processo sob sigilo e ao pressionar Banco Central e PF. Toffoli sustenta que o segredo de Justiça evita prejuízo às investigações e nega tentativa de blindagem.

A operação de quarta-feira, segundo interlocutores, buscou demonstrar que o inquérito seguirá avançando sob sua supervisão. Investigadores ouvidos reservadamente avaliam que o ministro sinaliza ter poder para aumentar ou reduzir a pressão sobre o ex-banqueiro conforme a evolução dos trabalhos.

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