Governo Trump vê importação de petróleo venezuelano como peça-chave para abastecer refinarias e conter China e Rússia

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O governo do ex-presidente Donald Trump passou a defender a retomada da compra de petróleo da Venezuela por refinarias norte-americanas, mesmo com os Estados Unidos alcançando a autossuficiência em produção de óleo leve. A estratégia, segundo assessores da Casa Branca à época, busca otimizar o parque de refino da Costa do Golfo, reduzir custos de combustíveis e limitar a influência de China, Rússia e Cuba na América Latina.

Porque o petróleo venezuelano interessa

Desde a revolução do xisto, impulsionada pelo fraturamento hidráulico, os EUA lideram a produção global de petróleo, principalmente do tipo leve e doce. Já grande parte das refinarias instaladas no Texas e na Louisiana foi projetada, décadas atrás, para processar petróleo pesado e ácido. Essas plantas contam com unidades de coqueamento, hidrotratamento e dessulfurização que funcionam melhor com óleo mais denso, como o extraído na Faixa do Orinoco, na Venezuela.

Sem volume suficiente desse insumo, as refinarias operam abaixo da capacidade ideal, encarecendo a produção de gasolina e diesel e deixando o sistema mais vulnerável a furacões, panes operacionais e choques externos.

Impacto geopolítico

O redirecionamento do petróleo venezuelano para portos norte-americanos também tem ramificações estratégicas. Por anos, Pequim financiou projetos em Caracas e recebeu barris como pagamento de dívidas, amarrando o país sul-americano à sua órbita. Quando esse petróleo passa a ser vendido a companhias dos EUA, a China perde parte desse instrumento de pressão.

Moscou, que se vale de brechas em sanções e de parcerias com governos aliados para ganhar espaço na região, veria igualmente reduzido o seu campo de manobra caso o fluxo fosse integrado a mercados transparentes e supervisionados por Washington.

Efeito sobre Cuba

Outro objetivo da iniciativa é cortar o subsídio energético que sustenta a ilha de Cuba. O governo cubano usa o petróleo venezuelano para manter serviços de segurança e apoiar regimes aliados na América Latina. Ao diminuir esse abastecimento, ficaria comprometido o principal pilar econômico que financia atividades consideradas desestabilizadoras pela Casa Branca.

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Imagem: Peter Navarro FOXBusiness via foxbusiness.com

Cautela do setor privado

Embora a política tenha apoio de parte da indústria, executivos de grandes petroleiras, como a ExxonMobil, avaliam a Venezuela como “não investível” por causa da infraestrutura envelhecida, riscos de crédito e disputas legais. John Jovanovic, presidente do Export-Import Bank dos EUA, afirmou que qualquer participação de bancos federais dependeria de garantias de governança e segurança jurídica em Caracas.

Para Harold Hamm, presidente da Continental Resources, as reservas venezuelanas — consideradas uma das maiores do mundo em petróleo pesado — podem fortalecer a matriz energética dos EUA caso sejam comercializadas sob condições claras e monitoradas.

Com a medida, aliados de Trump argumentam que é possível estabilizar preços domésticos de combustíveis, manter empregos no setor de refino e, ao mesmo tempo, enfraquecer adversários geopolíticos na região.

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