O Citi revisou, nesta quinta-feira (15), suas projeções para as ações da C&A Modas (CEAB3) e reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 18. A recomendação de compra foi mantida, mas a corretora passou a classificar o papel como de alto risco.
Mesmo após o corte, o novo valor indica potencial de valorização de 71,7% em relação ao fechamento de ontem (14), quando CEAB3 terminou cotada a R$ 10,48. O banco projeta crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS) de 5% em 2026, abaixo da estimativa anterior de 7%, e cortou a expectativa de lucro líquido para o período em 12%, para R$ 492 milhões.
De acordo com o relatório assinado por João Pedro Soares e Felipe Husein, o cenário continua incerto para o primeiro semestre de 2026, que terá bases de comparação mais difíceis e o impacto negativo da Copa do Mundo da Fifa.
Após a divulgação da revisão, CEAB3 recuou 5,15% e fechou o pregão desta quinta-feira a R$ 9,94, tornando-se a terceira maior queda do Ibovespa.
O Citi relatou que, em encontros recentes com analistas, a administração da varejista sinalizou um trimestre mais fraco em vendas de vestuário. Entre os fatores apontados estão menor fluxo de consumidores em shoppings, dados do Instituto Brasileiro de Varejo que confirmam essa tendência e rupturas de estoque decorrentes de demanda acima do previsto por produtos direcionados à base da pirâmide (P1). O balanço do 4T25 será divulgado em 24 de fevereiro.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Segundo o banco, mesmo em um cenário pessimista — crescimento de SSS de 3% e lucro próximo a R$ 400 milhões — as ações negociariam a cerca de 8 vezes o múltiplo preço/lucro (P/L). Nas estimativas atualizadas, o P/L projetado para o fim de 2026 cai para 6,6 vezes, enquanto o preço-alvo de R$ 18 embute 11 vezes.
Os analistas reconhecem, porém, elevada volatilidade de resultados no curto prazo e afirmam que não veem catalisadores relevantes até que exista maior clareza sobre a possível desaceleração do setor.
Na mesma data, o BTG Pactual reiterou recomendação de compra para CEAB3 e elevou seu preço-alvo, citando expectativa de demanda mais forte por roupas nos próximos trimestres.