Brasília – Órgãos de controle e investigação intensificaram, nas últimas semanas, a apuração sobre o Banco Master, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada no fim de 2025. Diligências do Banco Central, do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) apontam a existência de um esquema de pirâmide financeira montado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro por meio de fundos da gestora Reag.
A estratégia, segundo investigadores, envolvia a captação agressiva de recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e a negociação de carteiras de crédito consignado. O crescimento rápido do banco já era alvo de especulações no mercado financeiro antes da venda da instituição ao Banco de Brasília.
Entre o final de dezembro de 2025 e o início de 2026, a defesa de Vorcaro tentou, sem sucesso, desqualificar o liquidante nomeado pelo Banco Central e contestar a legalidade das investigações. Relatos de intimidação, ameaças e o uso de gravações de áudio e vídeo atribuídas ao ex-banqueiro foram levados em consideração pela PF.
A liquidação da Reag, confirmada neste período, é considerada pelas autoridades prova adicional do desvio de recursos. Em operação recente, agentes federais apreenderam armas, carros de luxo, relógios e R$ 97 mil em espécie relacionados ao caso.
Investigadores afirmam que Vorcaro não atuou sozinho. Entre os nomes citados está o empresário Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro. Até o momento, contudo, não há detalhes sobre seu eventual envolvimento direto no esquema.
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Com o avanço das investigações, órgãos como Tribunal de Contas da União (TCU), Supremo Tribunal Federal (STF), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Congresso Nacional acompanham o desdobramento do caso, enquanto agentes públicos que antes mantinham contato próximo com Vorcaro buscam se distanciar do episódio.
As autoridades não divulgaram prazo para conclusão dos inquéritos.