Correios buscam levantar R$ 8 bilhões até junho para evitar novo aperto de caixa em ano eleitoral

Mercado Financeiro16 horas atrás10 Visualizações

Os Correios iniciaram nesta semana contatos com bancos e integrantes do governo para obter até R$ 8 bilhões adicionais até junho. O montante é considerado indispensável para dar continuidade ao plano de reestruturação da estatal e prevenir uma nova crise de liquidez durante o período eleitoral de 2026.

A companhia já recebeu R$ 10 bilhões de um empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025 com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander; os R$ 2 bilhões restantes devem entrar no caixa até o fim de janeiro. Segundo fontes próximas às negociações, esses recursos sustentam a operação somente até meados deste ano, prazo que pode se estender um pouco caso o programa de demissão voluntária (PDV) avance.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, estimou em dezembro que ainda faltam R$ 8 bilhões para cobrir a necessidade total de R$ 20 bilhões prevista no plano de reestruturação. Os recursos financiam a quitação de dívidas, incentivos ao PDV, ajustes no plano de saúde e demais obrigações.

Pressão por aporte da União

No contrato firmado com os cinco bancos, há cláusula que prevê aporte de R$ 6 bilhões da União até 2027. O Tesouro Nacional confirmou que, além de garantir o empréstimo, precisará injetar essa quantia independentemente de nova captação. A discussão sobre a cláusula ocorreu em reunião com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, quando o governo acenou com repasse em 2026 ou 2027, já que não haveria espaço orçamentário em 2025.

Agora, a estatal usa o risco de desgaste político em plena campanha para tentar antecipar ao menos parte desse aporte ainda em 2026. A estratégia busca evitar a repetição do fim de 2025, quando a demora na liberação do primeiro empréstimo ameaçou o pagamento do 13º salário dos empregados.

Resistência dos bancos a nova rodada de crédito

Segundo executivos do mercado, as cinco maiores instituições que participaram da primeira operação demonstram pouco interesse em ampliar a exposição nas condições definidas pelo Tesouro. Bancos de porte menor chegaram a apresentar propostas, mas com custo acima do considerado aceitável pelo governo para oferecer garantia soberana.

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Imagem: redir.folha.com.br

O contrato atual tem prazo de 15 anos, com carência de três, e exigirá desembolso anual superior a R$ 1 bilhão a partir de 2028/2029. Uma nova operação aumentaria o serviço da dívida e comprometeria uma fatia maior da receita de uma empresa ainda em recuperação, avaliam técnicos do governo.

Compensação pelo serviço postal

O Executivo também analisa alternativas para reforçar o caixa dos Correios, como um mecanismo de compensação pelo serviço postal universal, que representa parte relevante dos custos da estatal. Entre as possibilidades está a criação de uma taxa inspirada em modelos adotados por outros países, mas ainda não há proposta fechada.

Em nota, os Correios informaram que a primeira fase do plano de reestruturação segue em execução e que novas operações de mercado poderão ser consideradas nas próximas etapas, se estiverem alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa.

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