Mercado acionário dos EUA passa a mirar a Casa Branca e reage a medidas de Trump em 2026

Mercado Financeiroagora mesmo6 Visualizações

O governo de Donald Trump voltou a influenciar diretamente o comportamento das bolsas norte-americanas no início de 2026. Decisões e declarações presidenciais sobre petróleo, juros de cartão de crédito e exportação de chips para a China desencadearam oscilações expressivas em setores específicos, enquanto o S&P 500 acumula alta modesta de 1% no ano.

Energia impulsionada por ofensiva na Venezuela

Após o ataque militar dos Estados Unidos que derrubou Nicolás Maduro e a promessa de Trump de colocar à venda entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, o segmento de energia do S&P 500 avançou 7,5% até quinta-feira (15). SLB subiu mais de 20% e Halliburton, acima de 15%, beneficiadas pela expectativa de novos contratos de perfuração. As gigantes Chevron e Exxon Mobil ganharam cerca de 10% desde janeiro.

O preço do barril de petróleo aumentou pouco mais de 2% e segue abaixo de US$ 60, limite considerado suficiente para manter a rentabilidade das petroleiras, mas não para estimular investimentos pesados na Venezuela, segundo a analista Hardika Singh, da Fundstrat.

Limite para juros de cartão derruba bancos

Em publicação nas redes sociais, Trump sugeriu impor teto de 10% às taxas de cartão de crédito. A reação foi imediata: as 13 instituições financeiras que integram o S&P do setor bancário recuaram, com quedas acima de 5% para Wells Fargo, Bank of America e JPMorgan Chase. Executivos de bancos questionam a possibilidade de o governo fixar limites sem aprovação do Congresso.

Nvidia pressionada por possível restrição à China

Proposta da Casa Branca para endurecer as exigências sobre a venda de chips da Nvidia aos chineses provocou baixa nas ações da companhia e pressionou o restante do mercado de tecnologia.

Casa Branca no centro das atenções

A influência de Trump alimenta discussões sobre a relevância da Presidência para os mercados, antes atribuída principalmente ao Federal Reserve. “O antigo mantra era ‘não contrarie o Fed’; neste ano, pode ser ‘não contrarie a Casa Branca’”, avalia Singh.

Mercado acionário dos EUA passa a mirar a Casa Branca e reage a medidas de Trump em 2026 - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

Embora o governo critique de forma recorrente dirigentes do Fed, investidores pouco reagiram à notícia de que o Departamento de Justiça investiga o presidente do banco central, Jerome Powell, por obras na sede da instituição. Analistas entendem que interferências mais duras no Fed poderiam provocar fortes danos ao mercado.

Limites políticos e impacto econômico

Parag Thatte, estrategista do Deutsche Bank, lembra que 2026 terá eleições legislativas de meio de mandato e que a popularidade presidencial costuma acompanhar a confiança do consumidor. “Medidas que prejudiquem crescimento ou inflação tendem a durar pouco”, diz.

Para Rob Arnott, fundador da Research Affiliates, um eventual teto nos juros de cartão poderá falhar em reduzir desigualdade de riqueza, mas seria eficaz para colocar mais dinheiro no bolso dos eleitores antes da votação.

Até o momento, as sinalizações de Trump se traduzem em fortes movimentos em setores específicos, enquanto o índice amplo permanece relativamente estável. Analistas avaliam caso a caso, tentando distinguir promessas que serão convertidas em política real daquelas que ficarão apenas no discurso presidencial.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...

Todos os campos são obrigatórios.