Oitenta por cento dos projetos de criptomoedas hackeados não se recuperam totalmente, alerta especialista

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Quase quatro em cada cinco projetos de criptomoedas que sofrem um grande ataque jamais retomam a operação em plenitude, segundo Mitchell Amador, CEO da plataforma de segurança Web3 Immunefi.

Paralisia nas primeiras horas

Em entrevista, Amador afirmou que a maioria dos protocolos entra em “estado de paralisia” logo após a descoberta de uma brecha. “As equipes raramente sabem a dimensão da exposição e não têm um plano de resposta”, disse. A demora em decidir pelos próximos passos, aliada à subestimação do alcance do comprometimento, costuma provocar perdas adicionais, principalmente nas primeiras horas.

Segundo o executivo, muitos projetos evitam suspender contratos inteligentes temendo dano reputacional, enquanto a comunicação com os usuários praticamente cessa. O silêncio, observa, amplia o pânico e compromete a confiança da comunidade.

Confiança é o ativo mais frágil

Alex Katz, CEO e cofundador da empresa de segurança Kerberus, reforçou que, mesmo após a correção técnica, a reconstrução da credibilidade é rara: “Em grande parte dos casos, um grande exploit é sentença de morte; usuários saem, a liquidez seca e o dano à reputação é permanente”.

Falhas humanas ganham protagonismo

Katz destacou que, se antes os noticiários eram dominados por falhas em contratos inteligentes, hoje as maiores perdas decorrem de erros operacionais e enganos humanos. Entre os exemplos recentes, um investidor perdeu mais de US$ 282 milhões em Bitcoin (BTC) e Litecoin (LTC) após ser enganado por alguém que se passou por suporte da Trezor e obteve a frase-semente de sua carteira de hardware.

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Imagem: cointelegraph.com

2025: prejuízo recorde de US$ 3,4 bilhões

Os ataques a plataformas e carteiras aumentaram em 2025, elevando as perdas totais para US$ 3,4 bilhões, maior valor desde 2022. Apenas três incidentes, incluindo o hack de US$ 1,4 bilhão à Bybit, responderam por 69% do montante.

Amador observa ainda que o avanço da inteligência artificial potencializou golpes de engenharia social, permitindo o disparo de milhares de mensagens de phishing personalizadas por dia.

Segurança melhora, resposta ainda é desafio

Apesar do cenário adverso, Amador aposta em melhorias rápidas na segurança de contratos inteligentes, impulsionadas por auditorias mais robustas, ferramentas maduras e monitoramento on-chain. Para ele, 2026 pode ser “o ano mais forte” nesse quesito. O ponto crítico, contudo, segue sendo a prontidão para incidentes: parar o protocolo e comunicar-se de imediato, defende, causa menos danos do que permitir a escalada da incerteza.

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