Um terço das instituições financeiras pretende criar fundos sustentáveis no próximo ano, mostra levantamento

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Um estudo da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), elaborado em parceria com o Datafolha, indica que 33% das instituições financeiras pretendem estruturar ou administrar fundos sustentáveis no próximo ano. Outros 26% planejam direcionar recursos para títulos temáticos.

A pesquisa revela ainda que 38% das gestoras já deixaram de aplicar ou retiraram investimentos de ativos que apresentaram desempenho insatisfatório em critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).

Gestão de risco é o principal motivador

Segundo o levantamento, 51% das gestoras veem a gestão de riscos como a principal razão para considerar fatores ESG nas decisões de investimento. Diretrizes institucionais aparecem com 26%, e o dever fiduciário, com 12%.

Atualmente, 78% das instituições afirmam incorporar fatores ESG no processo decisório. Entre os quesitos mais observados destacam-se transparência (88%), ética (87%), segurança da informação (76%) e qualidade do conselho de administração (68%).

Para Cacá Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede Anbima de Sustentabilidade, maior percepção de risco — como falhas de governança ou falta de transparência — leva gestores a exigir retornos mais altos ou reduzir a exposição a determinados ativos.

Níveis de maturidade em ESG avançam

O estudo classifica as instituições em cinco estágios de adoção da agenda ESG: desconfiado, distante, iniciado, emergente e engajado. Os dois últimos, considerados mais avançados, somam agora 39% das gestoras, ante percentual menor registrado na edição anterior.

As gestoras apontadas como emergentes passaram de 22% para 28%, enquanto as engajadas, que integram a sustentabilidade à estratégia de negócios, subiram de 7% para 11%. Entre estas, 95% possuem políticas formais de investimento responsável.

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Imagem: redir.folha.com.br

Patrimônio de fundos sustentáveis cresce 79%

O patrimônio de fundos de investimento sustentável (IS) alcançou R$ 44,5 bilhões em dezembro de 2025, alta de 79% frente ao mesmo mês de 2024, segundo dados da Anbima. Pela definição da entidade, esses fundos têm como meta proteger, contribuir, evitar danos ou gerar impacto positivo em questões ambientais, sociais ou de governança.

Importância da sustentabilidade perde fôlego

Apesar do avanço, 68% das gestoras acreditam que a relevância do tema aumentará no próximo ano, proporção inferior aos 90% registrados em 2021. Em escala de 1 a 10, a importância atribuída à sustentabilidade caiu de 8,2 em 2021 para 7,9 na edição atual.

Takahashi atribui a diferença ao contexto de 2021, marcado pelos efeitos da pandemia e por debates intensificados sobre clima e questões sociais. Com a normalização da economia, outros fatores teriam ganhado peso no curto prazo.

Cenário externo pressiona metas ESG

No exterior, a agenda ESG enfrenta retrocessos. Incentivos à exploração de petróleo cresceram e compromissos climáticos foram revistos. Durante o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o slogan “drill, baby, drill” vem sendo defendido. Levantamento do Financial Times de 2025 mostrou que empresas como Walmart, Kraft Heinz, Meta e Ford retiraram referências a mudanças climáticas de seus sites, enquanto bancos como Goldman Sachs, Citi, Bank of America e Morgan Stanley deixaram a Net-Zero Banking Alliance.

Mesmo assim, Takahashi considera que a pauta ESG continua forte no Brasil, impulsionada por eventos como a COP30 e por maior aproximação entre setores público e privado.

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