Irmãos Batista avaliam entrada em projeto de petróleo de 1 bilhão de barris na Venezuela

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Joesley e Wesley Batista, controladores da J&F SA e proprietários do maior frigorífico do mundo, monitoram a possibilidade de investir no projeto Petrolera Roraima, na Venezuela, reserva estimada em 1 bilhão de barris.

Segundo pessoas a par das negociações, um parceiro comercial da família, Jorge Silva Cardona, já detém 49% do consórcio por meio da A&B Investments, enquanto a estatal PDVSA mantém 51%.

A movimentação ocorre depois da destituição de Nicolás Maduro, no início do mês, e da posse da presidente interina Delcy Rodríguez. O governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump, sinalizou intenção de apoiar a retomada do setor de energia venezuelano.

Estratégia cautelosa

A J&F afirmou não possuir ativos no país e declarou, por e-mail, que acompanha os eventos “de perto”. A holding condiciona qualquer decisão a um ambiente de “estabilidade institucional e segurança jurídica”.

As sanções impostas por Washington levaram os irmãos Batista a adotar postura prudente, já que o grupo possui investimentos relevantes nos EUA, entre eles a processadora de frangos Pilgrim’s Pride Corp.

Agenda de alto nível

Na semana passada, Joesley Batista voou de Washington a Caracas para reunião com Delcy Rodríguez. Fontes relatam que o empresário apresentou, ao retornar, avaliação positiva sobre a abertura do governo interino a investimentos estrangeiros, especialmente em petróleo e gás.

Nos últimos anos, os irmãos construíram relações com diferentes lideranças políticas. A Pilgrim’s Pride foi a maior doadora individual do comitê inaugural de Trump em 2025, e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva já recorreu a Joesley para dialogar sobre tarifas com a Casa Branca.

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Imagem: redir.folha.com.br

Produção em queda

O campo Petrolera Roraima operou originalmente pela ConocoPhillips e, em 2024, recebeu concessão de 25 anos para a A&B Investments. A produção subiu a 32 mil barris diários entre junho e outubro daquele ano, mas recuou após o endurecimento das restrições dos EUA às exportações venezuelanas.

Nos anos 2000, o projeto foi considerado referência de engenharia: instalações conhecidas como “upgraders” transformavam petróleo pesado em cerca de 90 mil barris diários de óleo sintético mais leve.

Planos adicionais

Além do petróleo, os Batista analisam oportunidades nos setores de mineração e infraestrutura elétrica venezuelanos para o período pós-Maduro, de acordo com uma das fontes.

Os vínculos da família com o país começaram há mais de dez anos. A JBS fechou com o governo Maduro um contrato de US$ 2,1 bilhões para fornecer carne e frango em meio à escassez de alimentos.

Não há prazo definido para a eventual entrada da Fluxus, empresa de petróleo dos Batista, no consórcio ou em novos projetos. A participação dependerá do desfecho político e das garantias financeiras exigidas por investidores internacionais.

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