A Kinea Investimentos, eleita Melhor Gestora do Ano na primeira edição da Premiação Outliers InfoMoney e vencedora de outros seis prêmios, decidiu adotar uma postura mais defensiva em ativos domésticos e aumentar a exposição a oportunidades internacionais. A decisão considera a proximidade do ciclo eleitoral brasileiro de 2026 e possíveis mudanças relevantes na política monetária global.
“Preferimos aguardar maior clareza sobre o cenário político para retomar posições direcionais mais fortes no Brasil”, afirmou Ruy Alves, sócio e cogestor dos fundos multimercado da casa, em entrevista ao InfoMoney. Até lá, a estratégia permanece focada em movimentos de juros, moedas e commodities no exterior, com o objetivo de atravessar um período que a gestora espera ser marcado por transições monetárias, tensão geopolítica e volatilidade elevada.
Conforme Alves, a construção da carteira é predominantemente tática e guiada pela relação risco-retorno. Mesmo em temas de longo prazo, como tecnologia e inteligência artificial, a exposição é ajustada de acordo com preço e volatilidade. Mais de 50 profissionais analisam indicadores de emprego, inflação, produtividade, fluxo de capitais e curvas de juros no Brasil e no exterior para embasar as decisões.
Nos multimercados, a Kinea diminuiu a exposição a ativos brasileiros e concentrou apostas em:
“O cenário local está mais bipolar e oferece risco-retorno menos atraente”, avaliou o gestor. A combinação de incerteza política e fiscal no Brasil e a reprecificação dos juros globais levou a casa a priorizar teses internacionais em tecnologia, finanças, defesa, energia e infraestrutura.
Para a Kinea, o ambiente externo ainda não demonstra estresse. A gestora enxerga estímulos fiscais, possível flexibilização monetária nos EUA e a “Big Beautiful Bill” como fatores que sustentam o consumo americano. A carteira de ações globais, portanto, permanece relevante, mas com proteção cambial.
Imagem: infomoney.com.br
No Brasil, a gestora acredita que o tema eleitoral ganhará peso na segunda metade do período. Mesmo com a perspectiva de cortes de 250 pontos-base na Selic a partir de 2026, Alves considera que o impacto estrutural nos preços dos ativos será limitado se persistir a incerteza política. “Se o câmbio sofrer, o Banco Central tende a agir com mais cautela”, observou.
O ouro segue entre as principais posições dos fundos multimercado da Kinea, após ter sido grande fonte de retorno no ano passado. “Diversos bancos centrais reforçaram suas reservas do metal, que fica fora do sistema tradicional de políticas monetárias”, destacou o gestor.
A exposição internacional costuma vir acompanhada de hedge cambial. Segundo Alves, a casa compra bolsa americana com dólar travado e, quando deseja se posicionar na moeda, faz isso em estratégia separada. Atualmente, mantém a venda de libra e compras direcionais nas demais moedas citadas.
Desde a última edição da premiação, quando também venceu categorias como Gestora de Ativos Alternativos e Melhor Fundo de Papel (KNCR11), o patrimônio sob gestão da Kinea cresceu de cerca de R$ 130 bilhões para R$ 144 bilhões.