Economista Michael França questiona futuro do trabalho diante do avanço da renda passiva

Mercado Financeiro1 mês atrás74 Visualizações

São Paulo – Em coluna publicada em janeiro de 2026 na Folha de S.Paulo, o economista Michael França, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, retoma o debate sobre o papel do trabalho numa sociedade em que cresce o número de pessoas que vivem exclusivamente de rendas, juros, dividendos e heranças.

França, formado pela USP, pesquisador do Insper e ex-visiting scholar das universidades de Columbia e Stanford, aprofunda questionamento levantado na semana anterior no texto “Viver sem trabalhar?”. Ao indagar “quem trabalhará pelo dinheiro?”, o autor aponta para uma possível tensão social nas próximas décadas.

Segundo o economista, o crescimento econômico recente permitiu que um grupo cada vez maior organizasse a vida sem depender de emprego regular. Esse movimento, afirma, concentra o esforço produtivo em quem não possui patrimônio e rompe o ponto de contato histórico entre diferentes camadas sociais: a experiência cotidiana do trabalho.

França observa que, embora a economia continue necessitando de profissionais para produzir bens, prestar serviços, ensinar, cuidar e transportar, o reconhecimento social e material tende a migrar para quem já dispõe de capital. Para ele, a distância entre quem trabalha e quem vive de renda altera percepções sobre esforço, mérito e prioridade de políticas públicas.

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Imagem: redir.folha.com.br

O colunista alerta que, se o trabalho se tornar quase exclusivo de quem não teve acesso a ativos financeiros, pode haver enfraquecimento do senso de contribuição coletiva. Nessa hipótese, diminui a disposição de dividir responsabilidades e de reconhecer o esforço alheio, situação que, na avaliação do economista, ameaça o pacto social.

O texto encerra com a reflexão de que o principal desafio não é apenas identificar quem continuará operando a engrenagem produtiva, mas compreender quem aceitará esse fardo em um contexto em que o trabalho deixa de ser caminho para autonomia e passa a ser obrigação restrita a determinados grupos. França dedica a coluna à música “Rodo Cotidiano”, interpretada pelo grupo O Rappa.

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