Pequim – A produção de eletricidade gerada a partir de fontes fósseis na China recuou 1% em 2025, para 6,29 trilhões de quilowatts-hora (kWh), registrando a primeira queda anual desde 2015, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS).
A redução, concentrada em usinas movidas a carvão e, em menor escala, a gás natural, foi ainda mais intensa em dezembro, mês em que a geração térmica caiu 3,2% em relação ao mesmo período de 2024.
A retração ocorreu apesar de o consumo total de eletricidade do país ter ultrapassado, pela primeira vez, 10 trilhões de kWh em 2025, informou a Administração Nacional de Energia (NEA). O volume superou a soma do consumo anual da União Europeia, Rússia, Índia e Japão em 2024, impulsionado pelo uso crescente de serviços de internet e pela expansão da produção de veículos elétricos.
Para Peng Chengyao, chefe de pesquisa de energia e renováveis da S&P Global Energy na Ásia-Pacífico, o rápido crescimento da capacidade eólica, solar e hídrica nos últimos anos vem diminuindo gradualmente a participação do carvão, ao mesmo tempo em que o avanço da demanda desacelerou de 6,8% em 2024 para 5% em 2025.
O levantamento do NBS indica que a geração total de eletricidade somou 9,72 trilhões de kWh em 2025, alta de 2,2% sobre o ano anterior. No mesmo período:
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Apesar da queda na geração térmica, a produção doméstica de carvão atingiu nível recorde em 2025, reflexo do esforço de Pequim para garantir segurança energética.
A S&P Global Energy projeta estabilidade no avanço da demanda, ao redor de 5% em 2026, e continuidade da expansão das fontes renováveis, o que deve limitar qualquer retomada significativa da geração fóssil. “Essa mudança estrutural no perfil de geração é difícil de reverter”, avaliou Feng Dongbin, vice-gerente geral da Fenwei Digital Information Technology, empresa que administra a plataforma de análise de carvão Sxcoal.