Queda dos juros prevista para 2026 amplia procura por CDBs, CRIs e CRAs indexados ao IPCA

Ações17 horas atrás12 Visualizações

Gestores de investimentos projetam que 2026 marcará o início de um ciclo de corte da Selic, criando um cenário favorável para aplicações de renda fixa atreladas ao IPCA, como CDBs, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Ciclo de flexibilização monetária

Alexandre Cancherini, sócio e gestor da Galapagos Capital, espera que o primeiro trimestre já dê o pontapé inicial na redução dos juros. Segundo ele, a combinação de desaceleração econômica e reancoragem parcial das expectativas de inflação sustenta a queda da taxa básica, ainda condicionada ao ambiente fiscal e político.

Nesse contexto, Cancherini prefere títulos indexados à inflação em prazos intermediários, que unem juros reais elevados, proteção do poder de compra e potencial valorização caso o cenário fiscal ganhe credibilidade. Prefixados também entram no portfólio, mas de forma seletiva, enquanto pós-fixados permanecem como instrumentos de liquidez.

Papéis pós-fixados mantêm relevância

Para Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management, os pós-fixados continuam essenciais em 2026. Apesar da expectativa de queda da Selic, o carrego desses títulos segue atrativo no curto prazo e funciona como amortecedor de risco em um ano de incertezas internas e externas que antecede as eleições presidenciais.

Marques também vê oportunidade nos títulos IPCA+ com vencimentos intermediários, que oferecem taxas reais acima de 7% ao ano e balanço favorável entre retorno e sensibilidade à curva de juros. Prefixados, por sua vez, ficam restritos a prazos mais curtos para evitar volatilidade excessiva.

Recomendação da Empiricus

Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus, aponta o IPCA+ como a melhor relação risco-retorno para investidores pessoa física em 2026. A casa recomenda CDBs indexados ao IPCA com prazos de três a cinco anos e limita os prefixados a até três anos.

Impacto no crédito privado

Cancherini avalia que a queda da Selic influencia mais o risco do que o retorno no mercado de crédito privado. O spread contratado continua determinando o carrego, enquanto a flexibilização monetária melhora a saúde financeira das empresas, reduz custos de capital e tende a diminuir o risco de crédito.

Queda dos juros prevista para 2026 amplia procura por CDBs, CRIs e CRAs indexados ao IPCA - Imagem do artigo original

Imagem: Vitor Azevedo via moneytimes.com.br

Os CDBs seguem competitivos no início do ano, mas devem perder atratividade gradualmente. Com a Selic próxima do pico, o CDI entrega apenas o rendimento contratado, ao passo que prefixados e IPCA+ concentram o potencial de ganho com a queda dos juros.

CRIs e CRAs exigem diligência

Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB, destaca que o risco em CRIs e CRAs depende da interação entre setor, originador e estrutura da emissão. Mesmo com a perspectiva de juros menores, papéis isentos permanecem atraentes, desde que apresentem garantias compatíveis com o prêmio oferecido.

Nos CRIs indexados ao IPCA, gestores preferem prazos intermediários que combinem com o fluxo de caixa dos projetos imobiliários. Nos CRAs, a cautela aumenta devido à natureza cíclica do agronegócio, que ainda se recupera de recentes processos de recuperação judicial.

Entre os setores, infraestrutura surge como o mais resiliente em 2026, amparado por incentivos regulatórios e demanda consistente por capital. O segmento imobiliário tende a reagir rapidamente ao corte de juros, enquanto o agronegócio continua enfrentando margens pressionadas por juros ainda elevados.

No conjunto, gestores afirmam que 2026 oferecerá oportunidades relevantes na renda fixa, mas exigirá maior rigor na seleção dos ativos. A estratégia predominante é priorizar IPCA+ em prazos intermediários, utilizar prefixados curtos de forma tática e manter pós-fixados como instrumentos de liquidez e controle de risco.

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