São Paulo, 45 minutos atrás – Tesourarias de ativos digitais (DATs) que apenas compram e mantêm criptomoedas correm risco de não atender às expectativas de acionistas e ainda perdem a oportunidade de fortalecer o ecossistema cripto, segundo Mike Maloney, presidente da 21 Vault.
O conceito de DAT ganhou força em 2020, quando a MicroStrategy iniciou a aquisição de Bitcoin (BTC) para seu caixa. Essa estratégia elevou o valor de mercado da tesouraria da empresa para mais de US$ 80 bilhões, incentivando outras companhias a repetir o movimento.
De acordo com Maloney, muitas empresas replicaram o modelo de “hodl”, levantando grandes somas para comprar criptomoedas e, depois, fundindo-se a empresas listadas. Entretanto, em certos cenários de mercado, esse método pode não gerar retorno suficiente para os acionistas e ainda expor as DATs a riscos cambiais, de gestão e a eventual classificação regulatória como companhias de investimento.
Além disso, manter os ativos parados não contribui para a liquidez, a estabilidade nem a adoção das criptomoedas, aponta o executivo. “Não há valor em uma empresa apenas guardar criptomoedas; indivíduos podem fazer isso”, declarou.
Maloney defende uma segunda geração de tesourarias, chamada por ele de “DAT 2.0”. A ideia é direcionar parte dos recursos para áreas que sustentem o ecossistema, como mineração, custódia, pagamentos, empréstimos e infraestrutura de liquidez. Com investimentos diversificados, as DATs contribuiriam para o crescimento e a longevidade das redes, reduzindo a dependência de uma valorização contínua do preço do Bitcoin.
Imagem: cointelegraph.com
Segundo o presidente da 21 Vault, as DATs têm potencial para se tornar uma fonte de “capital lento”, função desempenhada pelos grandes bancos no sistema financeiro tradicional há mais de 140 anos. Ele argumenta que fundos de hedge e de venture capital não se encaixam nesse papel, pois buscam retornos elevados em períodos curtos, enquanto o setor de criptomoedas necessita de financiamento estável e de longo prazo.
Para Maloney, a transição das DATs do modelo puramente especulativo para o de financiadoras de infraestrutura pode representar uma estratégia sustentável tanto para as próprias empresas quanto para o ecossistema cripto em geral.