O Brasil deu início à colheita da soja 2025/26 com estimativas que apontam para volumes históricos, mas em um mercado internacional marcado por ampla oferta e preços pressionados.
Segundo a AgRural, 2% da área plantada no país já foi colhida. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica avanço de 7%.
A Agroconsult prevê produção de 182,2 milhões de toneladas, com rendimento médio de 62,3 sacas por hectare. A AgRural projeta 180,4 milhões de toneladas e produtividade de 61,2 sacas.
Outras estimativas mostram divergências comuns ao início da safra:
A área plantada nacional permanece próxima de 49 milhões de hectares. André Debastiani, da Agroconsult, avalia que o período de plantio enfrentou instabilidades climáticas, mas a recuperação do tempo garantiu bom desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, o sucesso final depende da continuidade de condições favoráveis e de chuvas que não prejudiquem a colheita.
O USDA e o IGC estimam a produção global de soja em cerca de 426,5 milhões de toneladas, frente a um consumo de 423 milhões. Com isso, os estoques finais devem alcançar 124 milhões de toneladas, limitando espaço para alta de preços.
A China, principal compradora, deverá dispor de 184,5 milhões de toneladas na temporada 2025/26, segundo o IGC. O país começará com 50,5 milhões em estoque, produzirá 21 milhões e importará 113 milhões.
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No mercado norte-americano, as margens negativas podem levar produtores a migrarem parte da área de soja para o milho na safra 2026/27, fator que poderia reduzir estoques e sustentar cotações. Além disso, o anúncio do governo dos Estados Unidos de estimular a produção de combustíveis renováveis, se implementado, tende a aliviar a pressão baixista.
A soja continua como principal geradora de divisas do agronegócio brasileiro. As exportações devem ficar entre 112 milhões e 114 milhões de toneladas em 2026, conforme projeções:
Em 2025, o complexo soja (grão, farelo e óleo) somou US$ 52,9 bilhões, dos quais US$ 43,5 bilhões vieram da venda do grão.
Diferentemente do Brasil, a Argentina concentra suas exportações no farelo e no óleo de soja. Em 2025, o complexo rendeu US$ 21 bilhões ao país vizinho, sendo:
Com perspectivas de oferta farta e incertezas nas importações chinesas diante das disputas comerciais com os EUA, produtores brasileiros avaliam cuidadosamente a escolha entre soja e milho para as próximas temporadas.