O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira (20) em Davos, na Suíça, que o controle da Groenlândia é “fundamental” para a segurança do país à medida que novas rotas marítimas se abrem no Ártico.
Durante entrevista ao programa “Mornings with Maria”, da FOX Business, no Fórum Econômico Mundial, Lutnick declarou que Washington pretende prosseguir nas tratativas sobre uma possível aquisição do território, mesmo diante da resistência inicial do governo local.
“A abertura do Ártico muda a dinâmica do comércio global. Precisamos garantir que navios chineses ou russos não dominem essas passagens”, disse o secretário, argumentando que a proteção das novas rotas entre a Europa e a América do Norte exige presença norte-americana permanente.
Lutnick endossou a posição já apresentada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, segundo a qual a incorporação da Groenlândia tornaria mais segura a navegação no Hemisfério Ocidental. Ele afirmou ainda que o presidente Donald Trump planeja discutir o tema com líderes europeus nas próximas semanas.
No mesmo pronunciamento, o secretário detalhou a iniciativa do governo de investir US$ 1 trilhão na expansão da produção nacional de semicondutores. A meta é elevar a participação dos Estados Unidos no mercado global para 40% e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Como parte do plano, o Departamento de Comércio adquiriu cerca de 10% de participação acionária na Intel, utilizando incentivos federais já previstos para a construção de fábricas no país. Segundo Lutnick, o entendimento permitiu à empresa manter os US$ 10 bilhões liberados anteriormente para ampliar a produção doméstica.
Imagem: Kristen Altus FOXBusiness via foxbusiness.com
“Sem fabricar chips, não teremos robôs, drones nem sistemas de defesa autônomos”, explicou o secretário, para quem a autossuficiência em semicondutores é “essencial” na estratégia de segurança nacional.
Em nota, o presidente-executivo da Intel, Lip-Bu Tan, informou que a companhia “continuará comprometida com o avanço da tecnologia produzida nos Estados Unidos” e disse contar com o apoio do governo para fortalecer a base industrial do país.
O anúncio em Davos ocorre em meio aos esforços de Washington para atrair investimentos estrangeiros e negociar acordos comerciais que favoreçam a indústria norte-americana, segundo o Departamento de Comércio.