Em texto publicado na seção Políticas e Justiça da Folha de S.Paulo, o pesquisador Vítor Del Rey, mestre em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas e presidente do Instituto GUETTO, sustenta que a recente invasão dos Estados Unidos à Venezuela, com a captura do presidente Nicolás Maduro, tem como motivação central o controle das reservas de petróleo.
Segundo Del Rey, o episódio, apresentado publicamente como defesa de “ordem, soberania, segurança e democracia”, na verdade reconfigura o mercado energético global. Com a entrada da denominada “Nova Venezuela” no circuito internacional, a oferta de petróleo muda, provocando oscilações de preço e intensificando a competição entre produtores.
O autor argumenta que esse cenário pressiona países vizinhos, entre eles o Brasil, a acelerar a perfuração de poços, flexibilizar licenças ambientais e revisar regras de exploração. Para Del Rey, a justificativa de crescimento econômico costuma ser priorizada, enquanto os custos sociais e ambientais permanecem fora das planilhas oficiais.
O texto enfatiza ainda que a expansão da atividade petrolífera tende a atingir territórios indígenas, quilombolas, a Foz do Amazonas e outras áreas ambientalmente sensíveis, ampliando riscos de contaminação, desmatamento e insegurança alimentar. De acordo com Del Rey, a crise, além de geopolítica, torna-se também climática e racial, pois afeta de maneira desigual populações já vulneráveis.
Imagem: redir.folha.com.br
O autor avalia que os compromissos assumidos pelo Brasil na COP30 ficam ameaçados diante da pressão por crescimento rápido. Ele afirma que o país corre o risco de repetir um modelo desenvolvimentista que posterga reparações e sacrifica comunidades em prol da estabilidade do mercado.
Ao final do artigo, atendendo a pedido do editor Michael França, Del Rey indica a música “Ninguém Regula América”, parceria de Sepultura com O Rappa, como sugestão aos leitores.