O dólar começou o pregão desta quinta-feira (22) praticamente sem variação em relação ao fechamento anterior. Às 9h09, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,3192, baixa de 0,03%.
Na véspera, a divisa já havia recuado 1,11%, encerrando o dia a R$ 5,319. No mesmo período, o Ibovespa avançou 3,42% e alcançou 171.816 pontos.
Operadores atribuem o movimento à sinalização de menor tensão comercial entre Estados Unidos e União Europeia. Na quarta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou, por meio da rede Truth Social, que está próximo de um entendimento sobre a Groenlândia e, por isso, suspendeu a aplicação de tarifas a oito países europeus que entrariam em vigor em 1º de fevereiro.
Mais cedo, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), Trump descartou o uso de força para controlar a ilha. As declarações derrubaram o dólar frente a várias divisas e impulsionaram bolsas ao redor do planeta.
No mercado doméstico, investidores também repercutem a decisão da União Europeia de abrir revisão jurídica do acordo com o Mercosul, vista como sinal positivo para as negociações comerciais.
Para Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, o recuo nas ameaças tarifárias reduziu a aversão a risco que vinha prevalecendo desde o fim de semana. “Quando as tensões diminuem, parte do capital volta a buscar mercados com preços atrativos”, afirma.
Luiz Ormeneze, sócio da Manchester Investimentos, acrescenta que o Brasil se beneficia do diferencial elevado de juros, da exposição a commodities e do valor de mercado das empresas listadas. “A alocação em emergentes ainda está baixa nos portfólios globais, o que deixa espaço para entrada de recursos”, diz.
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A queda dos rendimentos dos treasuries norte-americanos e a estabilização dos títulos japoneses ajudam a aliviar a pressão sobre moedas de países emergentes, segundo Marcio Riauba, chefe da mesa de operações do StoneX Banco de Câmbio.
No campo político, pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta manhã mostrou o presidente Lula (PT) na liderança das intenções de voto, mas com distância menor para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e para o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). A leitura de que candidatos considerados mais alinhados ao mercado vêm ganhando terreno colaborou para o bom humor dos investidores, avalia Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
No exterior, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones operavam em alta superior a 1% no início da manhã.
Com o ambiente ainda favorável, participantes do mercado acompanham a evolução das negociações entre Washington e Bruxelas, bem como novos dados sobre a economia global, para avaliar a sustentabilidade do movimento de queda da moeda americana.