A combinação de desinflação global, recuo do dólar e queda nas cotações de energia abriu espaço para uma nova onda de otimismo com ativos de risco em 2026. A avaliação foi feita por gestores convidados do programa Stock Pickers, em edição especial que inaugurou o quadro AfterMarket, conduzido por Lucas Collazo.
Andrew Reider, sócio e gestor do WHG Long Biased, afirmou que a diminuição dos juros nos Estados Unidos, se motivada por inflação mais baixa e não por recessão, tende a beneficiar ações ligadas ao ciclo doméstico, como bancos, consumo e small caps. “Esse rotation está acontecendo agora”, disse o gestor, destacando fluxo crescente para papéis cíclicos e regionais que ficaram para trás no rali das big techs e da inteligência artificial.
Para José Rocha, sócio e gestor da Dahlia Capital, o pano de fundo é um “choque positivo de oferta” que ajuda a ancorar as expectativas inflacionárias. “O petróleo está meio para baixo no mundo, o dólar tende a ficar fraco e os juros devem cair no Brasil”, resumiu. Segundo o executivo, cortes de juros baseados em desinflação criam um ambiente construtivo para ativos de risco.
No mercado doméstico, Christian Keleti, CEO da Alpha Key, apontou distorção histórica entre small caps e Ibovespa. De acordo com o gestor, o investidor estrangeiro que aumenta exposição a emergentes costuma entrar via índices, direcionando recursos para Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), grandes bancos, WEG (WEGE3) e Suzano (SUZB3). “Small contra o Ibovespa está na maior diferença da história”, afirmou.
Keleti destacou ainda que a indústria local de fundos de ações sofreu resgates de cerca de R$ 50 bilhões, o que obriga gestores a reduzir risco e manter caixa, pressionando papéis de menor liquidez.
Imagem: infomoney.com.br
Rocha avaliou que, com inflação cedendo, o Banco Central pode iniciar um ciclo de afrouxamento já no primeiro trimestre, possivelmente entre 200 e 300 pontos-base ao longo do horizonte. Nessa hipótese, consumo, bancos médios e companhias sensíveis ao crédito tendem a reagir primeiro.
Apesar do tom otimista, os participantes lembraram que a eleição de 2026 permanece como variável crítica. “Dependendo da percepção sobre o risco fiscal, o processo pode ser interrompido, acelerado ou até invertido”, observou Keleti.
Se o dólar seguir fraco, as commodities continuarem acomodadas e a inflação permanecer sob controle, os gestores veem a migração de recursos saindo de defensivas e exportadoras para empresas mais ligadas ao mercado interno. “Se o juro cai por um bom motivo, a rotação é clara: small caps, bancos e consumo”, concluiu Reider.