O YouTube passou a disponibilizar controles parentais que permitem bloquear completamente o acesso de crianças e adolescentes ao Shorts, seção de vídeos curtos da plataforma. A medida foi implementada depois de a empresa concluir que conteúdos de curta duração podem induzir a um consumo automático, afirmou Alexandra Veitch, diretora de assuntos governamentais da companhia.
Os novos recursos, liberados na última semana, possibilitam aos responsáveis definir um limite de tempo ou impedir o uso do Shorts por menores, além de ativar lembretes de “hora de dormir” e “tome um tempo”. Segundo Veitch, nenhum concorrente oferece bloqueio total: o TikTok permite restrição de cinco minutos e o Instagram não apresenta ferramenta semelhante.
Nesta sexta-feira (23), o YouTube lança no Brasil um sistema de verificação de idade baseado em comportamento de navegação. A solução analisa buscas, histórico de exibição e comentários para identificar usuários com menos de 18 anos e, a partir disso, desativar anúncios personalizados. Antes, a idade era autodeclarada.
A plataforma afirma que não coletará dados adicionais nem usará reconhecimento facial. Caso um usuário seja classificado como menor por engano, poderá contestar enviando documento de identidade ou cartão de crédito; essas informações serão descartadas após a análise.
De acordo com Veitch, a ampliação do recurso já estava prevista antes da aprovação do ECA Digital, que tornará obrigatória a verificação de idade a partir de março de 2025. A fiscalização está programada para o segundo semestre do mesmo ano pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
O YouTube declara ser a única grande plataforma que impede a veiculação de anúncios direcionados a menores. A empresa também bloqueia para esse público conteúdos que tratem de temas como suicídio, aborto ou violência explícita e ajusta o algoritmo de recomendações para oferecer vídeos adequados à faixa etária.
Imagem: redir.folha.com.br
Regras atualizadas permitem agora a exibição de publicidade em vídeos que discutam assuntos considerados polêmicos, como automutilação e aborto, desde que não contenham imagens explícitas. A executiva ressalta que a possibilidade de monetização não garante que esses vídeos sejam sugeridos a menores e que conteúdos inadequados têm alcance reduzido.
A audiência adolescente é uma parcela expressiva e engajada da plataforma. O criador mais seguido, MrBeast, relata que a maioria de seus espectadores tem entre 13 e 17 anos. No Brasil, o canal de Luccas Neto soma 53,5 milhões de inscritos.
Controlado pela Alphabet — também proprietária do Google —, o YouTube registrou faturamento global de US$ 54,2 bilhões em 2024, conta com mais de 2,7 bilhões de usuários ativos mensais e integra um quadro de 183.323 funcionários da holding. Entre os principais concorrentes estão TikTok, Instagram (Reels), Netflix e Disney+.
Veitch reforça que o Brasil é mercado prioritário e representa a quinta maior base de usuários do YouTube no mundo. A tecnologia de verificação de idade deverá ser estendida a todos os serviços da Alphabet no país.