O recuo dos juros básicos no Brasil e a proximidade das próximas eleições estão redefinindo as escolhas de gestores de fundos de ações. No programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, especialistas apontaram oportunidades em companhias de menor liquidez e fora dos grandes índices.
José Rocha, sócio e gestor da Dahlia Capital, afirmou que a saída expressiva de investidores locais de ações de shoppings, varejo e consumo abriu espaço para ganhos nesses setores. “Houve forte pressão nesses papéis, o que achatou os spreads. Mesmo com alguma recuperação, o índice SMLL continua bem abaixo das máximas, enquanto o Ibovespa já toca novos picos”, disse.
Para Rocha, empresas muito alavancadas tendem a se beneficiar diretamente do ciclo de cortes de juros conduzido pelo Banco Central. “Quando a taxa cai, elas conseguem rolar dívidas com mais facilidade e parte desse passivo migra para o equity”, explicou. Ele citou o Assaí (ASAI3), que possui mais de R$ 10 bilhões de dívida líquida; cada ponto percentual a menos na Selic poderia acrescentar cerca de R$ 100 milhões ao lucro da rede.
O gestor destacou ainda que as melhores oportunidades recentes surgiram em companhias com peso reduzido no índice principal. Um dos exemplos é a Ecorodovias (ECOR3), vista como candidata a otimizar sua estrutura de capital em um ambiente de juros menores. “Se o mercado entrar em bull market, há empresas com potencial para dobrar ou triplicar de valor”, afirmou.
A discussão também envolveu Andrew Reider, sócio e gestor do WHG Long Biased, e Christian Keleti, CEO da Alpha Key. Os três concordaram que o cenário político influencia os prêmios de risco. Rocha avaliou que um eventual lançamento de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à Presidência poderia antecipar movimentos positivos na bolsa, enquanto a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenderia a prolongar a incerteza até novembro do pleito.
Imagem: infomoney.com.br
Apesar das variáveis domésticas, os participantes ressaltaram o peso do ambiente externo. Segundo Rocha, fatores como dólar mais fraco, petróleo em queda e cortes de juros pelo Federal Reserve continuam a sustentar a valorização dos ativos locais. “Petróleo para baixo, inflação para baixo, juros para baixo, bolsa para cima: é o quadro que estamos enxergando”, resumiu.
Os gestores concluíram que, combinados, política interna e indicadores globais devem moldar o comportamento da renda variável brasileira nos próximos meses, com atenção especial às empresas de médio porte e às mais endividadas.