Arminio Fraga aponta demora do Banco Central na intervenção sobre o Banco Master

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São Paulo – Ex-presidente do Banco Central (BC) entre 1999 e 2002, o economista Arminio Fraga afirmou que as investigações em torno do Banco Master indicam atraso da autoridade monetária para conter os problemas na instituição.

Segundo Fraga, o tamanho do rombo financeiro e os avisos emitidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) mostram que o BC deveria ter atuado antes. “Ninguém constrói um buraco desse tamanho da noite para o dia”, declarou.

Falhas de supervisão

Para o economista, a origem das dificuldades está em uma gestão que classifica como “temerária”, apoiada em uma carteira de ativos de alto risco e em estratégia agressiva de captação. Ele afirma que, posteriormente, surgiram sinais de retirada de recursos por meio de fundos, atualmente alvo de investigação.

Fraga ressaltou que o BC possui instrumentos legais para examinar carteiras de fundos, inclusive por meio de convênio com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “O Banco Central já podia solicitar essas informações”, disse.

‘Rádio-corredor’ e remuneração elevada

O ex-presidente do BC relatou que rumores sobre a situação do Master circulavam “há muito tempo” no mercado financeiro, embora instituições continuassem a vender títulos do banco. Ele destacou a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que pagavam 140% do CDI, ou CDI mais 6% ao ano, patamar considerado anormal em cenário de juros elevados.

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Imagem: redir.folha.com.br

TCU e influência política

Fraga questionou a inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre documentos sigilosos do BC e citou tentativas de interferência política, como projetos no Congresso para substituir diretores da autarquia ou ampliar o teto de garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Apesar das críticas, o economista afirmou confiar na capacidade do Banco Central de aprender com o episódio e aprimorar seus processos de supervisão.

Perfil

Arminio Fraga Netto, 68 anos, é doutor em economia pela Universidade de Princeton, foi diretor-gerente do Soros Fund Management e fundou a Gávea Investimentos. No comando do BC, conduziu intervenções em instituições como Bamerindus e Banestado nos anos iniciais do Plano Real.

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