Itajaí (SC) – A JBS Terminais prepara-se para disputar o novo leilão que definirá o operador definitivo do Porto de Itajaí, onde atua com concessão provisória há 14 meses.
Segundo o CEO Aristides Russi Jr., o terminal já opera com 93% da meta contratual de 44 mil TEUs (contêineres de 20 pés) por mês, movimentando atualmente cerca de 41 mil TEUs. “Provamos que somos capazes de retomar a operação de forma rápida e eficiente”, afirmou.
Desde que assumiu o ativo, em outubro de 2024, a empresa destinou R$ 150 milhões à retomada das operações. A folha anual de quase 600 trabalhadores, entre efetivos e avulsos, soma R$ 50 milhões. O terminal responde por R$ 7 milhões em ISS, valor que o coloca como maior contribuinte desse tributo no município.
Russi Jr. destaca que o porto conta hoje com dez linhas de navegação, número que, segundo ele, não era registrado desde 2012 ou 2013. A movimentação atual é 11% superior ao melhor resultado de 2022, ano em que a instalação ficou 18 meses parada após o fim da concessão anterior.
O terminal foi operado até 2022 pela APM Terminals, braço da dinamarquesa Maersk. No leilão subsequente, os dois primeiros colocados foram desclassificados. A segunda colocada, Mada Araújo, recorreu à Justiça, venceu a disputa, mas não iniciou as operações e transferiu o contrato à JBS Terminais com aval da Antaq.
No ano passado, o TCU recebeu denúncia anônima questionando a viabilidade da proposta da Mada e supostas multas não pagas. A JBS Terminais sustenta que cumpre todas as obrigações e que o tema já foi analisado pelo tribunal.
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O calado médio de 13 metros limita a entrada de navios que exigem mais de 16 metros de profundidade. O governo federal planeja leiloar a dragagem e a gestão do canal de acesso como parte do programa de privatizações.
Além da restrição de profundidade, a companhia reclama das condições das rodovias BR-101 e BR-470, descritas por executivos do setor como “à beira do colapso”. O CEO afirma manter diálogo com o governo catarinense para buscar soluções de acesso terrestre.
Do outro lado do rio Itajaí-Açu opera a Portonave, investida da suíça MSC, apontada por Russi Jr. como principal concorrente. Apesar de esperar competidores no certame, a JBS Terminais é considerada favorita, em um cenário de leilões portuários com baixa disputa: desde 2016, mais da metade ocorreu com apenas um participante.
Paralelamente, a companhia avalia entrar no leilão do Tecon 10, em Santos (SP). A decisão dependerá das condições do edital, ainda não divulgado.