Títulos corporativos CCC lideram ganhos e despertam apetite por risco nos EUA

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Os títulos corporativos norte-americanos classificados na categoria CCC, a mais baixa do mercado de alto rendimento, acumulam retorno total de 1,15% no ano até a última quinta-feira (data de fechamento dos índices), superando praticamente todas as demais classes de dívida nos Estados Unidos. No mesmo período, os Treasuries recuaram cerca de 0,2%, segundo dados da Bloomberg.

Analistas apontam que parte da procura decorre de avaliações consideradas descontadas. De acordo com o Barclays, os spreads dos papéis CCC estão baratos em relação ao patamar histórico quando comparados aos de títulos da categoria imediatamente superior, a faixa B.

Participação pequena, impacto elevado

Os papéis CCC representam aproximadamente 12% do valor de mercado do índice de alto rendimento, mas respondem por cerca de um quarto dos spreads totais, conforme cálculo do Barclays. “Se você não tiver nenhuma posição em CCC, ficará para trás”, afirmou Michael Levitin, gestor da MidOcean Partners.

Em 2023, esses títulos subiram 8,3%, ficando atrás do ganho de 8,9% observado na escala BB. Neste início de 2024, porém, a tendência se inverteu. “O desempenho reflete, principalmente, as avaliações de mercado”, disse Sean Feeley, gestor da Barings.

Juros mais altos impulsionam demanda

O rendimento dos Treasuries de 10 anos subiu cerca de 0,25 ponto percentual desde o fim de novembro, em meio à percepção de que o Federal Reserve pode reduzir juros em ritmo mais lento devido à solidez do mercado de trabalho. A alta das taxas, somada a episódios como a retórica do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a anexação da Groenlândia, alimentou volatilidade e elevou o prêmio exigido pelos investidores.

Com rendimentos absolutos mais atraentes, fundos de pensão, seguradoras e demais gestores voltaram a comprar uma ampla gama de títulos corporativos. Na quinta-feira, o spread médio dos papéis investment grade recuou para 71 pontos-base, menor nível desde 1998. No mercado primário, emissões com grau de investimento somaram US$ 170 bilhões no ano, alta de 13% ante igual período de 2023.

Emissões de alto risco ganham força

O interesse por risco maior ficou evidente em janeiro, quando seis ofertas de títulos CCC movimentaram US$ 3,5 bilhões — 15% de todas as emissões de alto rendimento. Em igual mês do ano passado, foram apenas duas operações, que totalizaram US$ 630 milhões, ou 3% do volume do segmento.

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Imagem: infomoney.com.br

“Os investidores buscam rendimento, precisam de papel e estão com caixa”, resumiu Levitin.

Seleção de crédito é crucial

Para Corry Short, estrategista do Barclays, o mercado de dívida está dividido entre empresas que exibem forte desempenho, negociadas a múltiplos elevados, e emissores com maior risco de inadimplência, precificados a níveis de estresse. Nesse ambiente, a análise caso a caso ganha importância. “Há forte dispersão dentro do universo CCC; a escolha do crédito faz toda a diferença”, afirmou.

Segundo Scott Hague, chefe global de financiamento alavancado da TD Securities, investidores distinguem companhias com crescimento robusto daquelas com potencial limitado. Em alguns casos, ele acrescenta, os spreads de empresas mais sólidas já se comprimem a patamares normalmente reservados a emissores avaliados em B simples.

Enquanto o cenário de taxas elevadas perdurar e os retornos permanecerem atraentes, a busca por rendimento deve continuar sustentando a demanda por títulos de maior risco nos Estados Unidos.

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